21/09/2005 - 7:00
O cachorro pára no meio da sala. Senta. Com a pata traseira, começa a se coçar compulsivamente. O bicho está com pulgas. A cena, que parece prosaica, é na verdade o início da cadeia de consumo de um mercado bilionário, liderado mundialmente pela Merial, maior fabricante de produtos de saúde animal ? um segmento que movimenta US$ 4 bilhões no mundo. Seu carro-chefe é o antipulgas Frontline, que com dez anos de mercado já vendeu 1 bilhão de doses em todo mundo, livrando mais de 200 milhões de totós do infortúnio das parasitas saltitantes. Para se ter uma idéia da performance desse remédio antipulgas, basta compará-lo a um campeão de vendas ?para humanos?, o Viagra. A pílula azul da Pfizer ultrapassou a barreira do bilhão com sete anos de mercado. ?O frontline é um fenômeno?, comemora Luiz Luccas, diretor da área pet da Merial, empresa fundada em 1997, com a junção do laboratório americano Merck com a francesa Sanofi-Aventis (do grupo Rhone Mérieux). Com 16 plantas industriais e 17 centros de pesquisa, a companhia inaugurou sua fábrica brasileira há pouco mais de um ano em Paulínia, no interior de São Paulo. ?Nessa planta, fabricamos produtos de uso em bovinos. O Frontline é feito na França e importado por 150 países onde atuamos?, afirma Luccas.Quem não tem um mascote em casa, pode até desconhecer o produto. Mas sozinho, o Frontline representa 15% de todo o mercado veterinário pet do Brasil, onde 150 milhões de doses já foram vendidas. Ele rende anualmente R$ 55 milhões ao laboratório. ?São três milhões de unidades ao ano?, diz Luccas. O sucesso do antipulgas, explica o executivo, está em sua eficácia. A empresa garante que em menos de 18 horas mata 100% das pulgas do animal. ?A Merial está investindo
US$ 30 milhões até 2008 em pesquisas?, diz Luccas.
A empresa, segundo ele, alcançou nos primeiros seis meses do ano faturamento 22% superior que o mesmo período de 2004. Resultado que se deve ao aumento de 60% nas vendas brasileiras do Frontline, graças a uma promoção envolvendo personagens de Hanna Barbera: comprando duas unidades, o consumidor ganhava uma latinha decorada com os desenhos. ?Nossas vendas estão muito ligadas às condições econômicas dos consumidores, pois nosso produto não é barato. Se a conjuntura melhora, nós também crescemos?, afirma, lembrando que cada unidade do antipulgas custa em média R$ 20. E o mercado brasileiro ainda tem muito espaço para crescer. Embora seja usado por 2 milhões de cães ao ano,
apenas 10% da população canina têm acesso ao Frontline. ?O que atrapalha nossa expansão é que 40% do preço final do produto correspondem a impostos?, reclama Luccas. A Merial não tem planos de fabricar o medicamento no País. Pelo menos enquanto o mercado nacional não dobrar de tamanho. ?Será difícil conseguir isso, com tantos impostos. Por isso a empresa investe no lançamento de produtos inovadores?, conta Luccas.