“Ninguém vai deixar de comprar sapato porque as bolsas estão caindo”, disse ele. Para entender o pensamento do empresário, é preciso voltar ao passado. Na década de 1970, um exbóia- fria do interior do Paraná ganhou notoriedade em Jundiaí, interior de São Paulo, por sua habilidade em vendas. Os clientes perguntavam por ele assim que colocavam o pé dentro da Passarela. Em busca de uma vida melhor, Pereira começou como vendedor de sapatos e, em pouco tempo, percebeu que tinha vocação para os negócios. O dono da empresa também. Todo mês, o jovem paranaense se destacava entre seus colegas de trabalho e fazia brilhar os olhos do patrão. “Eu vendia muito mais que os outros. Era o melhor da cidade. Minha motivação era não voltar ao trabalho no campo”, explica ele. Depois de passar a gerente de duas lojas, a motivação de Pereira o fez propor ao patrão sociedade numa terceira unidade. Era o início de uma história que levaria o ex-lavrador paranaense a ser proprietário de uma rede de 22 lojas de calçados nas maiores cidades do interior paulista. Pereira deve encerrar o ano com um faturamento de R$ 92 milhões e venda de 1,4 milhão de pares de sapatos. A meta é inaugurar duas lojas por ano, a partir de 2009. Qual a receita? Ele garante que o bom vendedor não desiste nunca e jamais teme a recessão. “Se eu tivesse medo, não teria saído da roça. Quem tiver medo agora, vai acabar na roça.”