08/06/2005 - 7:00
Você já ouviu falar em bônus perpétuo? Não se culpe. Afinal, até a semana passada esses papéis nunca haviam sido emitidos por empresas brasileiras. A primazia da operação coube ao maior banco privado do País. O Bradesco anunciou a captação internacional de US$ 300 milhões em bônus perpétuos com a sua marca. Isso significa que investidores aceitaram aplicar recursos no banco pelo resto dos tempos, sem data de resgate, recebendo em troca o pagamento de juros anuais de 8,81%.
?Tivemos ordens de compra de 700 milhões de dólares, mas optamos por não atender a todos e, em troca, diminuir os custos?, conta o diretor executivo do banco, José Guilherme Lembi de Faria. No mercado internacional, os bônus perpétuos são lançados exclusivamente por empresas consideradas sólidas por todos os ângulos. Sem essa garantia, esses títulos não passariam de ?micos? para os investidores, uma vez que eles aplicam seus recursos sem data para resgate. Os bônus costumam ser procurados, em larga maioria, por pessoas físicas. Esses investidores vêem nesses papéis uma alternativa de poupança permanente, comparável a imóveis e títulos de renda fixa. Coordenada pela Merril Lynch, a operação teve como principal bandeira os R$ 191,2 bilhões em ativos do Bradesco. No road show, esse dado impressionou, em particular, aos asiáticos. Tanto assim que 40% dos US$ 300 milhões captados vieram de Hong Kong e Singapura. Do total, 70% dos recursos foram aplicados por pessoas físicas ?O banco abriu caminho para que outras empresas brasileiras tracem a mesma rota?, afirma Erivelto Rodrigues, da consultoria Austin Rating. ?A condição é ter solidez?. ![]()