09/02/2001 - 8:00
São Paulo acaba de bater um novo recorde. A cada doze minutos, em média, ocorre um evento na cidade. Desde o Congresso Paulista de Odontologia, que reúne 70 mil pessoas, até o Salão do Automóvel, passando pelo inusitado Congresso Mundial de Túneis, são quase 74 mil eventos por ano. No ano passado, essa enxurrada de feiras, congressos e convenções trouxe para a capital paulista algo em torno de R$ 2,6 bilhões. Se for considerada toda a rede de serviços envolvida, como restaurantes, casas noturnas, táxis, essa cifra salta para R$ 5 bilhões. Um acontecimento de peso como o Grande Prêmio Brasil de Fórmula 1, que gera US$ 75 milhões, movimenta cerca de 56 setores econômicos, de acordo com dados do São Paulo Convention & Visitors Bureau. É essa sucessão de números que elegeu São Paulo a meca latino-americana das feiras de negócios. ?O mercado brasileiro cresce cada vez mais?, diz Cecília Rotenberg, diretora da MKTática, empresa de planejamento e coordenação de convenções.
Com boa parte dos clientes vindos da área de tecnologia, como Microsoft, IBM, Apple, Nortel e Samsung, a empresa está realizando pelo menos um evento por dia. De 1999 para 2000, o faturamento da MKTática cresceu 50%. ?Hoje, as pequenas empresas começam a investir e as grandes investem ainda mais?, diz Cecília, que comanda um exército de mais de 100 fornecedores para atender os desejos de seus clientes. ?A concorrência é grande. Cada um quer fazer algo mais original.?
A capital paulista não está sozinha na corrida pelos grandes eventos internacionais. Buenos Aires e Nova Deli, cidades igualmente famosas no roteiro do turismo de negócios, disputam palmo a palmo as convenções e congressos nos países em desenvolvimento. A favor de São Paulo está o crescimento da economia brasileira, que incentiva as empresas a investirem em promoção comercial. ?Há um consenso no mercado de que os eventos são o caminho mais curto para a aproximação de fabricantes, fornecedores e clientes?, diz Armando Campos Mello, diretor executivo da Ubraf, entidade que reúne os organizadores de eventos. É esse boom que vem atraindo, por exemplo, grandes nomes internacionais do turismo de negócios. Redes hoteleiras como a americana Hyatt e a alemã Kempinski estão desembarcando no País seduzidas por números reluzentes. Para se ter uma idéia, mais de 90% dos eventos na capital paulista são realizados em hotéis. As feiras, congressos e exposições atraem mais de 5 milhões de turistas que gastam, em média, US$ 288 por dia. E o principal: é uma indústria que não pára de crescer. Na última década, cresceu 400%. Em 1990, eram 40 mil executivos estrangeiros no País. Hoje, são mais de 200 mil.
A cobiça internacional serve de combustível para a ofensiva local. A rede Transamérica está construindo o Transamérica Expo Center (TEC), empreendimento de R$ 53 milhões que será inaugurado em julho. A idéia surgiu há dois anos quando os executivos do grupo Alfa ? dono do Transamérica ? perceberam que o tradicional centro de convenções do hotel em pouco tempo não teria mais condições de comportar a demanda atual de feiras e exposições. ?Realizamos hoje cerca de 900 eventos por ano e mesmo assim fomos obrigados a fazer o TEC?, afirma Wilmar Rodriguez, diretor de negócios não financeiros do Alfa. As portas dos três pavilhões do TEC ainda nem abriram e já há doze congressos e feiras agendados até o fim de 2001. O grupo também está cobiçando congressos alheios. A primeira tacada foi trazer para São Paulo o Expo Management, que acontecia todos os anos em novembro, em Buenos Aires.
Construído em um terreno de 22 mil metros quadrados e interligado com o hotel Transamérica, o TEC terá infra-estrutura de telecomunicações, duas mil vagas de estacionamento e ar condicionado. Este último item deveria ser obrigatório em qualquer centro de convenções. Mas no Brasil, acredite, o maior pavilhão de exposições, o Anhembi, não dispõe do equipamento. ?Já perdemos grandes eventos por conta do atraso do Anhembi?, diz Roberto Gheler, presidente do São Paulo Convention & Visitors Bureau (SPCVB). Gheler trabalha diretamente com a engrenagem do turismo de negócios. Muitas vezes, conta, são necessários anos de antecedência para traçar toda a estratégia de promoção. Ele diz que é preciso ?vender? a cidade para as comissões organizadoras. ?Parece uma disputa para sediar uma Olimpíada?, diz o presidente do SPCVB. A batalha do momento é pela convenção mundial do Rotary, que vai acontecer em 2007 e deverá atrair 10 mil pessoas. Para levar a melhor, o SPCVB terá de ressaltar as qualidades da capital paulista: gastronomia, vida cultural intensa e a rede de hotéis. Tudo isso e mais as possibilidades de se fazer negócio no maior mercado latino-americano.