29/12/2004 - 8:00
Podem soltar os cintos, senhores passageiros: o Brasil já decolou. Depois de década de restrições, limites, acanhamentos e complexos, o grande jato da economia brasileira finalmente ganhou os ares internacionais. A bordo desse aparelho ? que bom poderia levar a marca da Embraer ? estão os grandes exportadores, as multinacionais verde-amarelas, diplomatas vitoriosos, brasileiros de fama internacional e outros, milhares, anônimos, que percorrem o mundo vendendo as mercadorias brasileiras ? cachaça, louça sanitária, aço, biquínis, automóveis, tudo. No ano em que as exportações cresceram mais de 30%, abriu-se o leque do que o Brasil vende no exterior, criando novas e vibrantes oportunidades empresariais. Este foi o ano do maior superávit comercial da história brasileira, que deve chegar a US$ 32,5 bilhões.
A reboque dessa conquista contábil, outros avanços vieram e, com eles, um País que busca um novo lugar no mundo. Pela primeira vez em décadas, o Brasil goza de superávit nas suas contas com o exterior. Produz mais dólares do que aqueles de que necessita para honrar suas dívidas. Com isso, criou-se uma paz nos mercados como não se via há anos, ancorada, desta vez, não em falsas paridades cambiais, mas na capacidade efetiva do País em gerar receita. Há faces humanas nessa melhoria. A mais conhecida delas é a do ministro Luiz Fernando Furlan, do Desenvolvimento, que converteu-se no homem das exportações. Ou então a do chanceler Celso Amorim, responsável pela nova e combativa diplomacia comercial brasileira. Se houve um ponto baixo nessa trajetória, ele deveu-se à leniência com que o governo tratou a Argentina. Com suas queixas e exigências descabidas, o maior parceiro do Mercosul converteu-se em uma pedra no sapato do Brasil.
Nas páginas que seguem reflete-se um pouco dessa grande viagem internacional do Brasil, em seus múltiplos aspectos. Um dos melhores deles é a constatação de que o País está na moda. As cores nacionais, assim como os sons e os sabores, ganharam as ruas do mundo. Há Giselle Bündchen, a gaúcha que se converteu no rosto mundial do consumo sem perder a cara do Brasil. Há os Ronaldos. Há o próprio presidente Lula, um símbolo do País que se tornou internacional sem deixar de ser o que é, seja na relação altiva que o presidente estabeleceu com os americanos, seja na presença das tropas brasileiras no Haiti ou, ainda, na maneira calorosa com que se recebe o número cada vez maior de turistas que aporta por aqui. É o Brasil, em pleno vôo, em pleno século XXI.