É difícil separar da Internet a imagem dos grandes centros urbanos. Pois no interior do País, em cidades como Sapezal, no Mato Grosso, a Internet deixou de ser um acessório de luxo para se transformar numa ferramenta de trabalho tão importante quanto o telefone. Uma pesquisa feita pela Toledo & Associados nas regiões do Centro-Oeste e Triângulo Mineiro, mostra que 76% dos grandes produtores têm computador e 56% utilizam a rede. Dos que não têm computador, 90% pretendem comprá-lo nos próximos seis meses. ?É a melhor forma de acompanhar as cotações em todo o mundo, em tempo real?, diz Adilton Sachet, um dos produtores de soja e algodão da região. Na propriedade de Sachet, qualquer mudança brusca nas plantações tem sua imagem fotografada por uma câmera digital e enviada por e-mail. ?Nem sempre posso acompanhar a produção de perto?, conta Sachet.

O perfil desse público não é exatamente jovem, como mostra os principais estudos sobre a Internet brasileira. O grande produtor é homem e tem entre 30 e 50 anos e com grande potencial para o comércio eletrônico. ?Muitos títulos de CD e livros não são encontrados em determinadas cidades do interior?, diz Marcelo Gusmão, diretor do portal Solostrata, empresa da Valepontocom voltada para o agrobusiness.

Apesar de a web ser a principal fonte de consulta desses agricultores, as operações virtuais de compra e venda de produtos agrícolas ainda estão engatinhando: apenas 0,3% do total das transações no Brasil são feitas pela Internet. O portal Solostrata é um dos poucos que apostaram alto nesse tipo de negócio: R$ 15 milhões. Neste ano, as operações feitas pelo site vão movimentar R$ 7,5 milhões em sacas de soja ? pouco para um País cuja produção bate na casa dos bilhões. Mas já é um começo. ?Em seis meses cadastramos 1.700 produtores?, diz Marcelo Gusmão. A maior parte é formada por grandes produtores, com no mínimo 400 hectares de terra cultivada. Nas pequenas propriedades é difícil falar na chegada da Internet, já que muitas ainda não receberam energia elétrica.