Alguém avisou que Rudy Giuliani ia chegar às 16 horas, dar uma rápida volta pelo imenso Orange Convention Center, na International Drive, em Orlando, e entrar no salão D, onde mais de 5 mil pessoas já se amontoavam para vê-lo. Exatos uma hora e cinco minutos depois, quando ele passou pela porta principal do maior centro de convenções da Flórida, executivos, analistas econômicos, curiosos e gente de informática ? afinal, estávamos em uma convenção de uma gigante de tecnologia norte-americana ? tentavam furar a barreira de seguranças para se aproximar dele. Quando conseguiam, limitavam-se a dizer: ?Thank you, mayor?. O ex-prefeito de Nova York devolvia aos fãs: ?Thank you, América?. A histeria ? adulta e engravatada ? repetiu-se quando o evento finalmente começou. Um vídeo institucional, quase biográfico, ia desfilando imagens da vida de Giuliani: da infância pobre no Brooklyn até o fatídico 11 de setembro. Ele é retratado de forma incansável. O narrador do vídeo não poupa adjetivos: um líder nato; a personalidade do ano; o Winston Churchill americano; o homem que reergueu o país; o prefeito da América.

Eis que Giuliani entra no palco. É ovacionado. Neste momento, os 10 mil espectadores do auditório já estão de pé. O homem que não cobra menos do que US$ 200 mil por palestras falou durante uma hora e meia. De quebra, ainda assinou um contrato com a Merril Lynch para representá-la nas cortes americanas. A empresa está sendo acusada de lesar investidores. Este é Giuliani: o político, o consultor, o advogado.

O que mudou no senhor e no país desde setembro?
Quando acordei e ouvi as primeiras notícias naquele fatídico dia, percebi que nada seria igual pós 11 de setembro. Pensava que seria o pior dia da minha vida e o pior dia da história deste país. Mas com o decorrer dos esforços humanitários da minha equipe e de voluntários vindos de todo o mundo, conseguimos transformar 11 de setembro no melhor dia para todos. A América renasceu mais forte.

O ex-prefeito Giuliani é ovacionado pelos americanos. Qual o papel agora do consultor Giuliani?
Falar de liderança e ensinar o segredo para o sucesso. E não só em uma carreira política. Liderança é para quem administra uma corporação gigante, uma padaria de bairro, uma cidade ou mesmo sua própria vida. São cinco as características do sucesso: princípios, coragem, preparação, trabalho em equipe e comunicação. Um exemplo de homem com princípios? Ronald Reagan. Por isso, ele foi um dos maiores líderes da história americana. Coragem? Coragem não é não ter medo. É saber dominar e controlar este medo. Neste ponto posso citar os bombeiros no episódio 11 de setembro. Poderia relatar várias histórias de homens que deram lições de vida durante os eventos terroristas. Eram homens com princípio, coragem, preparo e que trabalharam em equipe no dia mais fatídico da história americana. Isto é liderança.

Por que os EUA sempre são o alvo número um de
fanáticos ou terroristas?
Porque nós temos uma democracia perfeita, somos verdadeiramente capitalistas, vivemos em uma liberdade religiosa e nossas mulheres não são discriminadas. Porque nós estamos certos e eles não agüentam isto.

O sr. será candidato à Presidência?
Do quê? Dos Yankees (time de beisebol do qual ele é torcedor fanático)? Não. Eu sei quem será meu candidato à Presidência dos Estados Unidos. E seu nome é George W. Bush. Farei tudo que for possível para que ele seja reeleito.

Quais são os principais problemas das grandes
metrópoles americanas?
Segurança é a principal questão. Depois, trânsito e transporte coletivo urbano. Mas há um ponto mais sério neste país, a educação. Leva-se mais em conta o sistema de ensino, a premiação de professores, salários e problemas nos prédios que educação propriamente dita. Precisamos fazer algo por nossas crianças. Se não, teremos uma geração de medíocres.

E o que tem feito em seu tempo livre?
Estou ajudando governos, dando palestras para executivos, solucionando crises em corporações. Viajo todo o país para falar em seminários promovidos por empresas. Depois de oito anos de governo, consegui colocar ordem na casa. Organizei todas as minhas reflexões e terminei de escrever um livro.