12/12/2007 - 8:00
No ano passado, a família Feffer, maior acionista do grupo Suzano, se viu diante de um problema raro em sua trajetória no mundo dos negócios: sua concessionária de caminhões Volvo, a Vocal, amargava prejuízos há cinco anos e os problemas financeiros estavam chegando ao bolso dos acionistas. Era preciso resolver a questão e rápido. Afinal, como admitir que uma concessionária provocasse tanta preocupação no grupo, se na Suzano Papel e Celulose as coisas iam tão bem e a Suzano Petroquímica acabara de garantir R$ 2,7 bilhões com a venda de seus ativos para a Petrobras? Vender a concessionária estava fora de questão. David Feffer, o presidente do conselho da holding, iniciou sua carreira nos negócios da família por lá e, desde então, tornou-se um expert em caminhões. Daniel Feffer, presidente do conselho da concessionária, também não admitia se desfazer da operação. Seu objetivo era reverter as perdas. A saída foi partir para uma ampla reestruturação. Cláudio Zattar, ex-executivo da Ale Combustíveis, assumiu a direção da concessionária em setembro de 2006, com o objetivo de trazer o lucro de volta. Um ano depois, os acionistas estão felizes com os resultados. A concessionária voltou a liderar as vendas de caminhões Volvo no Brasil, as dívidas foram reduzidas e a cor azul está de volta ao balanço com uma reversão das perdas de R$ 2,5 milhões em 2006 para um lucro de R$ 12 milhões este ano.
A Vocal contou com a euforia que tomou conta do mercado. Entre 2000 e 2007, as vendas saltaram de 69 mil para quase 100 mil unidades. Hoje, para se comprar um caminhão, enfrentam- se filas de até seis meses. O trabalho de reestruturação envolveu toda a equipe da concessionária e exigiu uma ajudinha de especialistas de fora. O INDG, Instituto de Desenvolvimento Gerencial, do professor Vicente Falconi, foi chamado para promover uma forte redução de custos.
Em um ano, houve corte de 23% nesse item, gerando uma economia de R$ 2,3 milhões. Além disso, uma meta foi estipulada: a participação da concessionária nas vendas de caminhões semipesados no País deveria saltar de 2,5% para 8%. Meta cumprida. Somando semi e pesados, a Vocal encerrará o ano com a comercialização de 1.312 unidades, alta de 55% sobre o ano passado. No mesmo intervalo o mercado deve crescer 32%.
?Nem os acionistas imaginavam um resultado assim?, disse Zattar. ?A meta era um lucro de R$ 4,5 milhões.?
Para 2008, o plano de trabalho já está traçado. A Vocal deve vender 1.580 unidades, consolidando o título de campeã de vendas da marca no País. Mas o grande projeto é investir R$ 3 milhões em uma nova unidade em Guarulhos. Os recursos virão do próprio caixa. Hoje o endividamento da empresa é de R$ 5,8 milhões, contra R$ 17 milhões do ano passado.
Em 2009, outros R$ 2,5 milhões deverão ser investidos na oitava concessionária do grupo.