09/10/2002 - 7:00
Como eu consegui perder tanto dinheiro tão rápido? Por que cometo os mesmos erros? Será que eu nunca mais devo fazer aplicação na Bolsa? Se você já fez esses questionamentos, provavelmente não encontrou a resposta nos melhores livros sobre o mercado financeiro. Acredite, os mestres americanos do National Institute of Health (NIH) defendem que as decisões nos investimentos são resultados do comportamento psicológico que pode ser explicado pela neurociência, estudo do sistema nervoso. Para os cientistas, ao acompanhar as reações emotivas enviadas pelo seu cérebro, você identificará de maneira mais segura o seu perfil de investidor. E o melhor, saberá como colocar esses efeitos a seu favor. Nem mesmo a aplicação realizada com báse em cálculos fica livre de ser vítima de uma atitude emocional.
Para entender como funciona esse processo, os profissionais do NIH fizeram um mapa do cérebro do investidor. Os primeiros traços levam direto a amígdala (não confundir com amígdala da garganta), uma estrutura neurológica que fica dentro do sistema nervoso, que contribui para enviar sinais para outras estruturas cerebrais e geram reações imediatas de medo, raiva, ansiedade e pânico. É a área conhecida como o centro identificador do perigo. Basta dar uma olhada no pregão, para constatar que essas sensações enviadas pela amígdala fazem parte do dia-a-dia do investidor. Operadores agitados gritam para fechar os seus negócios. Como o processo dessas reações é muito rápido, você pode ser levado por um falso alarme e tomar uma decisão completamente precipitada.
Na crise, esses efeitos ficam mais visíveis. Diante de uma mudança brusca, o cérebro envia uma mensagem mais ou menos assim: ?vou perder muito dinheiro?? ou ?vou sair dessa?? . ?Nesse instante, a ação responde de forma exagerada?, diz o consultor financeiro José Carlos Flecha. Então, saiba que pode colocar a sua aplicação risco. A reação desproporcional é chamada de over reacting.
Emoções. Você já deve ter passado por essa experiência. Se após ouvir uma notícia sobre a queda da Bovespa, já teve vontade de vender imediatamente as suas ações, saiba que estava no auge do over reacting (reflexo da emoção imediata). Caso tenha chegado a concretizar a ordem, sem pensar pela segunda vez, e depois caiu no arrependimento, foi completamente comandado pela amígdala. ?O fator psicológico custa uma fortuna?, diz um estudo do professor Hans Breiter, da universidade de Harvard.
Você também deve saber lidar com esse turbilhão de emoções na hora dos lucros. No mais recente trabalho do NIH, os cientistas explicam que quanto mais tempo a sua aplicação se mantém com desempenho positivo, mais o seu cérebro irá acreditar que nada de errado irá acontecer (ele armazena informações repetidas no longo prazo). O melhor exemplo desse processo é o que ocorre quando você faz o caminho do trabalho para casa. Depois de algum tempo no mesmo percurso, não pensa mais no trajeto. O mesmo acontece com as finanças. Dessa forma, poderá ser pego de surpresa por um prejuízo e cair na armadilha do alarme falso. O cérebro acionará o sinal de perigo (da amígdala), o que poderá causar reações de medo e pânico. Assim, corre o risco de desfazer da aplicação de forma automática, sem antes análisar as vantagens, e ainda criar aversão aos riscos.
Para se proteger, os estudiosos recomendam que ao obter constantes ganhos, pense nas possibilidade de prejuízo repentino. Assim, colocará em ação a área pré-frontal do cérebro (responsável pelo senso de responsabilidade e concentração) e fugirá do perigoso efeito surpresa (da amígdala). Estará preparado para lidar com a situação da melhor forma. Faça a lição de casa, não deixe sua mente tomar decisões precipitadas.![]()