28/09/2005 - 7:00
Uma das maiores preocupações dos empresários que lidam com frotas de veículos é o controle de gastos com combustível. Não é para menos. Cerca de 50% do custo operacional de uma transportadora vem daí. Calcula-se que esse percentual é inflacionado em pelo menos 40%, resultado do desvio de dinheiro praticado por motoristas que abastecem os veículos e apresentam aos patrões nota fiscal com valor maior do que o registrado na bomba. Essa situação abriu um novo nicho de mercado, o de gestão de frotas, que já desperta a atenção de grandes empresas. A Ticket Serviços e a Shell acabam de firmar uma parceria para fortalecer suas ações na área. Investirão R$ 5 milhões para divulgar a idéia e buscar novos clientes.
Com o acordo, a Ticket Car, divisão de negócios com produtos para abastecimento, que fatura R$ 600 milhões por ano, assume a gestão dos cartões da Shell. O sistema funciona da seguinte forma: um chip é instalado no cartão do usuário e outro na bomba de combustível. O cruzamento dos dados dá ao cliente informações como a quilometragem percorrida, quantidade e valor pago pelo combustível e a identificação do condutor do veículo. ?Em média, nossos clientes reduzem em 20% o custo total com abastecimento?, garante Luiz Otávio Amaral, diretor da Ticket Car.
Inicialmente, a união vai fortalecer o mercado urbano, com potencial para 8 bilhões de litros ao ano. Até agora, só 15% dele é atendido por empresas especializadas em administração de frota. Mas a intenção é ganhar as estradas, onde o volume salta para 20 bilhões de litros/ ano (apenas 20% do mercado é atendido pelos gestores de frota). A grande rival da Shell e da Ticket é a CTF Technologies, empresa de capital nacional que trabalha em parceria com os postos BR, da Petrobrás, e Ipiranga. Foi justamente a CTF quem tirou mercado rodoviário da Shell. Com a parceria, a Shell espera recuperar as vendas de 200 milhões de litros /ano que já teve no passado. A CTF movimenta dez vezes esse volume. ?Vamos buscar a liderança?, avisa Emílio Gouvêa, diretor de Vendas de Varejo da Shell. O engenheiro Celso Posca, sócio da CTF, não se sente ameaçado: ?Se a Shell gastou milhões para fazer um clone do nosso sistema é porque estamos no caminho certo?.