22/08/2007 - 7:00
A febre da internet fez inúmeras vítimas pelo mundo afora. Da noite para o dia, empreendedores viram seus negócios, tidos como promissores, se transformarem em pó. O paulistano Daniel Delarossa correu esse risco, mas no final da história ganhou um lugar entre as exceções. Criador da Cyclades, especializada em gerenciamento de redes corporativas, ele e seu sócio João Lima resolveram, em 1999, se transferir para Freemont – cidade nas cercanias de São Francisco (EUA), em pleno Vale do Silício. No final de 2006, Delarossa encerrou seu ciclo na chamada Nova Economia ao vender o negócio para a Avocet Systems Inc. Saiu com um cheque de US$ 90 milhões. Consumada a transação, o empresário se viu diante de duas opções: aposentar-se precocemente ou partir para uma nova empreitada. A veia empreendedora falou mais alto. De uma só tacada ele montou duas empresas. Uma delas é a Choro Music, selo especializado no ritmo genuinamente brasileiro, do qual Delarossa, ex-estudante de flauta, é fã de carteirinha. A outra é a construtora Effyis Home. De quebra, fundou uma ONG, o Instituto Cuore, dedicado à educação e a atividades esportivas para crianças carentes. “Foi a forma que encontrei de continuar unindo trabalho e prazer”, disse Delarossa à DINHEIRO, numa de suas recentes visitas a São Paulo.
Para constituir o selo Choro Music, com sede em Freemont e uma filial em São Paulo, ele investiu US$ 250 mil. O portfólio, por enquanto, é composto por dois songbooks com obras do mestre Ernesto Nazareth. O público-alvo são músicos e estudantes. A divulgação é feita pelo próprio Delarossa, que já montou estande e promoveu workshops em feiras e congressos de música nos Estados Unidos e no Canadá. Os países da Europa serão os próximos a figurar nesse roteiro. “Vamos fechar o terceiro ano de operação com receita de meio milhão de dólares”, estima.
Por sua vez, o Instituto Cuore nasceu do desejo de Delarossa e sua mulher, Elza, de “socializar” uma fatia dos ganhos gerados pela Cyclades com a parcela mais carente do Jardim Umarizal, bairro paulistano onde viveram durante 10 anos. A ONG, que exigiu aporte de US$ 350 mil, atende 60 crianças. No local, elas praticam esporte, têm reforço escolar e aulas de música.
São iniciativas simpáticas, mas com pouco, ou nenhum, potencial de gerar grandes retornos. Talvez por isso, a terceira aposta de Delarossa é a construtora Effyis Home. A intenção é explorar o ainda emergente segmento de construções verdes da Califórnia. As casas com a assinatura Effyis terão equipamentos para reaproveitamento de água e placas solares para geração de energia e aquecimento de água, por exemplo. “É um setor no qual vislumbro grandes oportunidades”, diz. Delarossa é graduado em ciências da computação pela Universidade de São Paulo e, por isso, pouca intimidade possui com a construção civil. Assim, está buscando parceiros para tocar a empreitada, na qual será o sócio-capitalista. “Trata-se de uma área nova e que embute muitos desafios mas também ótimas chances de ganhar dinheiro”, analisa. Por certo, um salto e tanto para quem ingressou no mundo corporativo há menos de 10 anos, tendo como quartel-general uma garagem no bairro de Vila Olímpia (SP).