28/10/2009 - 8:00

Desde a segunda-feira 19, está na praça um novo sistema que permite que os clientes de bancos consultem e paguem eletronicamente suas contas, eliminando a emissão de boletos de papel e o envio pelo correio.
Seguindo a linha verde adotada pelo presidente da Federação Brasileira de Bancos, Fabio Barbosa, a economia ambiental é logo revelada. A instituição do Débito Direto Autorizado (DDA) pelos bancos vai poupar um bilhão de litros de água, 370 mil árvores, 46 milhões de KWh e milhões de quilos de dióxido de carbono.
Difícil mesmo é arrancar dos banqueiros a economia que o DDA vai proporcionar. Não custa tentar. Entre descontos tarifários que serão oferecidos às empresas que optarem pelo novo serviço e a redução de custos nos processos de impressão e postagem, analistas do setor estimam que é possível conseguir uma economia da ordem de R$ 860 milhões. Se for confirmado, esse número cobriria com folga o investimento feito pelos bancos.
A contratação da TIVIT, que criou o sistema a pedido da Febraban, custou R$ 20 milhões. Outros R$ 77 milhões deverão ser investidos ao longo dos próximos nove anos, mirando o aprimoramento do sistema para que receba também tributos e serviços de concessionárias de água, luz, gás e telefone, hoje fora do programa. O discurso, no entanto, ainda é dúbio até mesmo entre os executivos dos bancos.
“Estamos num momento de alto custo, foram meses e meses investindo para adaptar o sistema”, justifica Sidney Passeri, gerente-executivo da diretoria comercial do Banco do Brasil. Rizaélcio Machado de Oliveira, gerente de cash management do Bradesco e representante da Febraban, tem uma avaliação diferente: “O sistema é um apenas um aprimoramento de um serviço eletrônico que os bancos já vinham fazendo.”
Em meio à discussão, a única certeza é a de que as empresas que utilizam o serviço dos bancos para impressão e envio de boletos ainda não verão seus custos diminuírem. De acordo com o Banco Central, existem duas maneiras de as companhias registrarem suas cobranças: por meio eletrônico (pen drive, CDs e disquetes) ou por borderô (papel). A tarifa média nacional, apurada pelo BC na quinta-feira 21, para registrar um título eletronicamente era de R$ 4,51. No caso do registro por borderô, o valor médio era de R$ 4,99.
Esse é o preço que as empresas pagam hoje para emitir seus boletos de cobrança. “Estamos trabalhando num aprimoramento do sistema que vai identificar o percentual de clientes que aderiram ao DDA. Com isso, as empresas poderão negociar um desconto.” No caso da taxa de compensação interbancária, fontes do setor acreditam que haveria uma redução para R$ 0,55. Já o registro da cobrança deve cair em um terço. “Isso é interessante para os bancos porque, na linha do tempo, a receita efetiva com a tarifa de cobrança vai diminuir”, avalia Walter Tadeu, assessor técnico da Febraban.
No primeiro dia das operações com o DDA, a associação dos bancos contabilizava mais de um milhão de clientes cadastrados no novo serviço. Segundo o superintendente da área de produtos do Itaú Unibanco, Angelo Fernandes, o banco tem cerca de 300 mil clientes utilizando o DDA.
“Não imaginávamos que teríamos uma adesão tão grande antes do início das operações. Para um produto novo, que não é obrigatório, a procura está alta”, diz Fernandes. “O público de internet é o primeiro a aderir. Gradativamente as pessoas menos ligadas à tecnologia irão conhecer.” A estimativa do Bradesco era de que cerca de 5% dos clientes que utilizam canais eletrônicos iriam se cadastrar.

Fabio Barbosa: o presidente da Febraban diz que o ganho
ambiental é a principal vantagem do DDA. Cerca de 370 mil
árvores serão preservadas
No entanto, esse número ultrapassou 25%, de acordo com Rizaélcio de Oliveira. “A adesão está acima do esperado, em todos os canais do Bradesco”, comemora. O maior chamariz para os clientes está sendo a possibilidade de contar com um sistema que evita fraudes e economiza tempo.
“Desde que a empresa emite o boleto físico até ele chegar à casa da pessoa pode demorar até oito dias, sujeito a extravios e outros problemas”, explica Leonardo Demola Ribeiro, do Santander e um dos participantes da comissão que criou o DDA. “Com o DDA, esse prazo cai para dois dias.”
A diferença de tempo é muito grande. Aliada à praticidade, o cliente só tem a ganhar. Assim como os bancos, que estão economizando muito dinheiro com a redução na emissão dos dois bilhões de boletos anuais