21/09/2005 - 7:00
Arbeitslosigkeit. Essa palavra de dezesseis letras é o mais poderoso eleitor na Alemanha. O país vai às urnas no domingo, 18 de setembro, para eleger um novo primeiro-ministro. Gerhard Schröder, do Partido Social Democrata, desde 1998 no poder, e Angela Merkel, da União Cristã Democrática, sabem que esta imensa palavra para os padrões do idioma português, embora modesta na cultura de Goethe, é a chave do futuro. Seu significado: desemprego. A taxa atual é de 12%, a maior desde a Segunda Guerra Mundial (nos Estados Unidos, para efeito de comparação, é de 5%). São mais de 5 milhões de pessoas na rua. O sumiço de postos de trabalho é a pior herança de Schröder e de seus aliados do Partido Verde. A sombra incomoda os alemães ? e esconde as boas notícias econômicas dos últimos meses. A produção industrial tem crescido a um ritmo de 1,2% ao mês, em velocidade maior que os outros países da Europa. As reformas propostas por Schröder reduziram os custos operacionais, atraindo financiamentos e ampliando as exportações. E daí? Nada supera o medo de ficar sem trabalho, ainda que o Estado seja pai e mãe. ?Como resolver o problema do desemprego??, indaga Peter Nun, de 31 anos, professor de marcenaria da cidade de Würsburg, a 150 quilômetros de Frankfurt. ?Certamente não se trata de expulsar os imigrantes, como defendem os nacionalistas?. Nun diz mais: ?A tese da Alemanha para os alemães é um absurdo, vivemos em um mundo globalizado, precisamos exportar, e apenas assim teremos um país inteiro trabalhando?.
Uma semana antes do pleito, Angela Merkel aparecia à frente de Schröder nas pesquisas eleitorais, embora a distância das intenções de voto tenha diminuído a escassos seis pontos. A eleição desta filha de um pastor protestante, nascida em Hamburgo e criada na antiga porção oriental, pode significar uma pequena revolução na política européia. Eleita, ela se tornaria a primeira mulher a ocupar a chancelaria em Berlim. Seria, também, a primeira vez que um político do leste chegaria ao poder na Alemanha unificada. Depois de estudar física na Universidade de Leipzig, Angela começou a trilhar o caminho da política pelas mãos de Helmut Kohl, que a nomeou em 1991 como ministra da Mulher e da Juventude. De lá para cá, não parou de crescer. ?Ela é criticada por ser tímida?, diz Gerd Langguth, seu biógrafo. ?Mas Angela é uma pantera na política?. Tê-la no comando do Reichstag carrega uma outra metáfora. Desde a unificação, o lado ocidental sustenta o lado oriental. Para reduzir as imensas diferenças econômicas, com um muro virtual a rachar o país, o governo gasta cerca de 80 bilhões de euros anuais. Angela do leste carregará essa responsabilidade, o da redução das diferenças. É tarefa gigantesca.
Há quem a trate como uma nova Margareth Thatcher, pelo postura liberal. Não é comparação longe da verdade, mas cabe lembrar que o atual dilema alemão ? ela ou Schröder ? não provocará mudanças viscerais, à exceção de alguns pontos, como o apoio ou não à entrada da Turquia na União Européia (leia nos quadros abaixo). Ambos terão dificuldade de fugir do Estado do Bem-estar Social. Nenhum dos dois está disposto a mexer nesse vespeiro e tampouco na elevada carga tributária, que alimenta o paternalismo econômico. As taxas alemãs chegam a 42%. Ouvido por DINHEIRO, o presidente da Volkswagen no Brasil, Hans-Christian Maergher, resume o cenário. “A Alemanha precisa de uma reforma radical, e para isso, só mudando as cores da política. O que mais atrapalha são os impostos. O Fórum Econômico Mundial fez um ranking dos países onde o sistema tributário é mais complicado. Eram 175 países. O Brasil ficou na posição de número 74. A Alemanha ficou em 75o lugar. Consegue ser mais complicada e cheia de regras que o Brasil?. Se vencer Schröder, Angela Merkel terá ultrapassado apenas o obstáculo inicial. Logo de cara ela terá que resolver uma confusão jurídica que parece tola mas é divertida. Mick Jagger e Keith Richards, dos Rolling Stones, decidiram processá-la pelo uso indevido da canção ?Angie? nos comícios de campanha. ![]()
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