Despachar o dinheiro para um lugar seguro ? ou seja, fora do País ? é a primeira reação dos investidores nos momentos de crise. Os bancos estrangeiros que atuam no Brasil notaram isso e aproveitaram a alta do dólar para oferecer esse tipo de operação a seus clientes. A estatística mais recente do Banco Central, referente a março, indica um crescimento de 14,3% nas remessas para o exterior em relação ao mesmo mês do ano passado. Os analistas acreditam que esse número deve ter crescido consideravelmente a partir de maio.

?Com a instabilidade da economia, os clientes decidiram rever a alocação dos investimentos e aplicar em dólar?, afirma Robin Liddle, vice-presidente da área de private do Citibank, que administra
US$ 5 bilhões de correntistas ricos. As aplicações em dólar mais procuradas são fundos cambiais ? cujo patrimônio, no caso do
Citi, cresceu 62,6% desde o início do ano ? ou remessas para o exterior. ?Ano passado, transferências de recursos eram
eventuais. Hoje, são diárias?, diz.

Antes da crise, cada cliente private tinha em média 20% de seus investimentos em dólar e o restante em reais. ?Hoje, metade está em dólar?, diz José Eduardo Martins, da GPS Planejamento Financeiro. Em países como a Argentina, onde a confiança na economia é baixíssima, cerca de 80% dos portfólios estão no exterior. E, do que permanece no mercado local, a maior parte é investimento em dólares, possível graças à conversibilidade. O clima acabou apressando os projetos da americana Merrill Lynch, que aproveitou o momento para avançar mais sobre o mercado brasileiro oferecendo fundos offshore. No País, onde calcula que haja 70 mil pessoas com mais de US$ 1 milhão para investir, reestruturou a área de private, contratando para comandá-la Eduardo Saad, ex-presidente do Fleming Graphus, e vai oferecer investimentos no exterior para os brasileiros endinheirados.