18/02/2010 - 12:41
As pressões para tirá-lo do cargo foram intensas, especialmente por parte de Eike Batista, dono do Grupo EBX, que queria uma fatia da companhia. Mas ele resistiu. O balanço da companhia, no entanto, refletiu o peso da crise econômica mundial. No ano passado, o lucro da Vale caiu 51,8%, pressionado pela queda de 33% do preço do minério de ferro e pela valorização do real frente ao dólar. Com R$ 10 bilhões a menos na conta ? equivalente ao resultado do Itaú Unibanco ?, o lucro foi de apenas R$ 10,2 bilhões no período. As vendas recuaram 14% e a receita operacional caiu 31%, para R$ 30,2 bilhões. Na quinta-feira 11, dia seguinte à divulgação, a ação preferencial da Vale chegou a cair 3% na abertura dos negócios, mas reagiu ao longo do dia e fechou em alta de 1,9%. Na renegociação de preços com os asiáticos, a Vale deve conseguir aumentos de 10% a 15% no preço do minério de ferro, prevê o analista Peter Ho, da Brava Investimentos. Mesmo assim, o BB Investimentos reduziu o seu preço alvo: Vale5 (PNA) saiu de R$ 51,10 para R$ 49,60 e Vale3 (ON) caiu de R$ 58,80 para R$ 58,10, nos cálculos do analista Antonio Emílio Ruiz. Até onde vai o inferno astral de Agnelli?
DESTAQUE NO PREGÃO
Itaú lucra R$ 10 bilhões
Com lucro líquido de R$ 10,1 bilhões e valor de mercado de R$ 175 bilhões em 2009, o Itaú Unibanco espera que a carteira de crédito avance 20% em 2010. No ano passado, o total de financiamentos subiu 2,4% e atingiu R$ 278,4 bilhões. O avanço terá respaldo na economia robusta e na ascensão da classe C. Apostando no mercado interno, a empresa de Roberto Setubal deve abrir mais 150 agências e encerrar a integração com o Unibanco até dezembro.
Palavra de analista
A rentabilidade sobre o patrimônio líquido do banco, de 22,3% no ano passado, foi satisfatória, afirma Aloísio Vileth Lemos, analista da Ágora Corretora. ?Se a rentabilidade se mantiver neste patamar, as altas da carteira de crédito e dos ativos impulsionarão o lucro em 2010?, avalia. O preço-alvo para dezembro é de R$ 46,74, potencial de valorização de 26% sobre o preço atual de R$ 37,10.
Agente BR
Milionária punição
A CVM puniu a corretora Agente BR e Tulio Vinícius Vertullo com multa total de R$ 3 milhões. Conforme DINHEIRO antecipou na edição 600, de 3 de abril de 2009, Vertullo prejudicou mais de mil investidores e teria lucrado alguns milhões, segundo denúncias. Ele era chamado de Madoff brasileiro e, sob a bandeira da corretora, manteve uma estrutura que ganhava adeptos pelo boca-a-boca enquanto utilizava falsos carimbos e assinaturas da bolsa e da CVM. Vertullo cobrava taxa de administração de seus clubes de investimento, embora não fosse autorizado a gerir carteiras. Ele ainda pode recorrer.
Vedetes da semana
Micos da semana
As 10 mais do Ibovespa
Quem vem lá
A nova investida da Gafisa
A Gafisa registrou uma nova oferta pública de ações junto à Anbima. Agora quer levantar até R$ 1,1 bilhão ? acima dos R$ 600 milhões pretendidos na oferta anterior, que foi cancelada em julho passado. Wilson Amaral, presidente da empresa, quer o dinheiro para comprar terrenos, fazer lançamentos, adquirir concorrentes e reforçar o capital de giro. Os acionistas da Gafisa reagiram bem ao anúncio e, na quarta-feira 10, os papéis subiram 4,6%. Bem diferente da queda de 6,7% no dia 2 de junho de 2009, ocasião em que a empresa informou suas intenções de ir a mercado.
Fique de olho: a Mills Estruturas e Serviços de Engenharia, do setor de construção, deve ser a quarta companhia a fazer um IPO em 2010.
Educação financeira
Compre no boato e venda no fato. Este antigo e repetido ditado do mercado financeiro nem sempre termina em final feliz para o investidor, como mostrou o caso Agrenco (matéria à página 87). Em ?A verdade sobre os boatos? (Elsevier), Cass Sunstein, busca entender a atratividade das falsas notícias e seu efeito devastador para a vida pessoal e financeira.
Touro x urso
O touro resolveu reagir na semana passada. O que aliviou a tensão nas bolsas foi a queda nos pedidos de seguro-desemprego nos EUA referentes à semana encerrada em 6 de fevereiro ? a expectativa era de 465 mil e o resultado ficou em 440 mil solicitações. O anúncio de que a União Europeia socorrerá a Grécia também agradou. Em sete dias, até quinta-feira 11, o Ibovespa subiu 3,43%, reduzindo as perdas no ano para 3,59%. Enquanto a bolsa brasileira ficará fechada por conta do Carnaval, o Tesouro americano divulgará o orçamento de janeiro na terça-feira 16. Na quinta-feira 18 sai o índice de preços ao produtor (PPI) e na sexta-feira 19, o índice de preços ao consumidor (CPI). No Brasil, a BM&FBovespa retoma as negociações na quarta-feira 17 a partir das 13h.
Desempenho das empresas por setor de atividade econômica
Termômetro do mercado
Bolsa no mundo
aliança
De Chicago para o mundo
A BM&F sela aliança com a maior bolsa de derivativos e commodities global
A BM&FBovespa deu mais um passo para se tornar uma competidora global dominante nos mercados de ações e commodities. Na quinta-feira 11, a bolsa brasileira fechou uma parceria estratégica bilionária com o CME Group, de Chicago, dono do maior mercado de commodities e derivativos do mundo. Pelo acordo, a BM&FBovespa elevará sua participação no CME, passando de 1,7% do capital total para 5%, e ganhará um assento no conselho de administração do grupo americano. O investimento adicional será de US$ 620 milhões, o que eleva a fatia para US$ 1 bilhão, em valores atuais. Além da compra de ações, que equaliza a sociedade (o CME é dono de quase 5% da BM&FBovespa), o acordo prevê que as duas bolsas atuarão de mãos dadas em duas áreas estratégicas: investimentos em outros países e tecnologia. ?Essa parceria estratégica preferencial abrirá novas oportunidades de expansão da bolsa brasileira, principalmente em mercados com grande potencial de crescimento?, afirmou à DINHEIRO Edemir Pinto, presidente da BM&FBovespa. ?Mudamos de patamar.?
A partir de agora, as compras de participações e os acordos comerciais com outras bolsas serão feitos em conjunto, na base de 50% para cada uma. Em princípio, segundo a DINHEIRO apurou, São Paulo e Chicago estão de olho em mercados da Ásia e dos Estados Unidos. As duas sócias também desenvolverão uma única plataforma eletrônica de negociação de todos os produtos de ações e commodities, tanto nos mercados à vista quanto nos derivativos. Essa nova plataforma tecnológica, que ficará pronta até 2011, com investimentos de US$ 170 milhões, poderá ser vendida para bolsas de países emergentes ? especialmente na Ásia ? e nos Estados Unidos. Atual-mente, a BM&FBovespa utiliza quatro sistemas diferentes e paga US$ 3,5 milhões por ano à bolsa de Nova York, para utilizar o MegaBolsa. O que era despesa vai virar receita. Como os brasileiros já tinham fechado acordo com a Nasdaq, maior bolsa eletrônica de ações dos Estados Unidos, com vistas à venda de ações no mercado americano, a nova investida no CME fecha a estratégia global da BM&FBovespa. A ideia é conquistar investidores institucionais (inclusive os algotraders) e de varejo nas Américas, na Ásia e na Europa. É só o começo.
Pelo mundo
Murdoch vende Dow Jones
O CME Group criará com a Dow Jones uma joint venture voltada para a distribuição de cotações. Para ter direito a 90% do total, a bolsa de Chicago pagará US$ 607,5 milhões à News Corp., dona da Dow Jones, de Rupert Murdoch. A empresa reforçará seu foco em notícias e informações.
Buffett rebaixado
A Fitch Ratings rebaixou a classificação da Berkshire Hathaway, de Warren Buffett, na quinta-feira 11. A agência diz que a aquisição da ferrovia Burlington Northern Santa Fe pode ferir o perfil de risco da empresa. A S&P foi a última das três classificadoras de risco de crédito a retirar a empresa da condição de grau de investimento.
Suíços se recuperam da crise
Sem ajuda estatal e sob o comando de Brady Dougan, o Credit Suisse lucrou US$ 6,3 bilhões em 2009. Já o lucro de US$ 1,4 bilhão do UBS no quarto trimestre foi o primeiro em um ano. O banco fechou 2009 com prejuízo de US$ 2,5 bilhões.