09/02/2010 - 4:31
Na lista de desafios que o Brasil terá de superar para organizar a Copa de 2014, o ensino da língua inglesa aos profissionais que vão trabalhar no evento está no topo das prioridades. Pesquisas recentes indicam que apenas 20% dos universitários brasileiros dominam um segundo idioma, índice considerado baixo perto da demanda que vai surgir com o Mundial de futebol. Para tentar reduzir a defasagem, o Ministério do Turismo finalizou uma licitação que definiu quem será a empresa responsável por ministrar aulas online de inglês e espanhol para um contingente de 80 mil pessoas.

Multiplicação de alunos: Meirelles (à dir.) e Burman comemoram os resultados da filial brasileira,
um dos mercados mais rentáveis da empresa no mundo
A empresa vencedora foi a rede de origem sueca Englishtown, que terá a missão de capacitar os profissionais que terão contato direto com os milhares de turistas esperados para visitar o País durante a Copa. Batizado de Olá, Turista!, o programa será implementado em diversas cidades-sede do Mundial, entre elas Rio de Janeiro, Salvador, Manaus, Fortaleza, Recife e São Paulo. ?Acreditamos que o ensino pela internet facilitará a aprendizagem dos idiomas e o objetivo é que os estudantes virem multiplicadores de conhecimento nas áreas em que atuam?, diz Mário Moysés, secretário executivo do Ministério do Turismo.
A Englishtown vai receber R$ 2 milhões pelo projeto, uma pequena parcela dos R$ 440 milhões que o ministério prevê gastar na preparação de 306 mil profissionais do turismo nos próximos quatro anos. ?Fizemos um trabalho semelhante nos Jogos Olímpicos de Pequim e acredito que isso deva ter pesado a nosso favor?, afirma Peter Burman, presidente mundial da EF Corporation, grupo que controla a Englishtown.
Na semana passada, o executivo esteve no Brasil para definir os planos da empresa para o País. ?A subsidiária brasileira é hoje um de nossos focos estratégicos e já superou até o mercado chinês em número de estudantes?, diz Burman. Em 2009, o número de alunos da rede no Brasil chegou a 100 mil pessoas, quatro vezes mais que a marca registrada em 2008 (no mundo, a empresa possui 21 milhões de alunos).
Segundo Burman, a empresa vai investir US$ 10 milhões no País nos próximos cinco anos, dinheiro desembolsado principalmente na abertura de escritórios comerciais. ?Queremos triplicar o nosso atual quadro de funcionários no País, de 200 pessoas, para atender à demanda que virá forte nos próximos anos?, afirma Rogério de Souza Meirelles, diretor-geral da EF Corporate no Brasil.
O preço competitivo dos cursos, que custam a partir de R$ 1,3 mil por ano, fez com que as receitas da empresa nos últimos nove anos dobrassem a cada ano. De acordo com o presidente da companhia, o mercado brasileiro está no ranking dos dez maiores faturamentos entre os 51 países onde a escola atua. Somados, eles conferem à Englishtown vendas globais da ordem de US$ 2 bilhões.