11/01/2002 - 8:00
Antônio Carlos Lemgruber está de volta à ativa. O economista, desaparecido do mundo dos negócios desde outubro, quando se viu envolvido em um escândalo financeiro na última instituição que integrou, o Bank of America, resolveu voltar à tona a quilômetros de distância de sua antiga base. Deixou o Rio e foi buscar tranqüilidade para voltar ao mercado em Correias, distrito de Petrópolis. Virou inquilino de outro ex-banqueiro que deixou a cidade grande, Luiz César Fernandes, ex-Pactual. Lemgruber alugou um escritório na fazenda hi-tech que Luiz César mantém na serra, com direito a fibra óptica e internet de alta velocidade, e começou a trabalhar sozinho. Segundo pessoas que
circulam pela fazenda, o ex-banqueiro quer
pegar carona no que restou da onda de investimentos em tecnologia. É um exílio voluntário. Isolado pela repercussão do escândalo, ainda não esclarecido, Lemgruber ficou com o nome marcado. Em Petrópolis, conseguiu escapar do burburinho do mercado e retomar a vida profissional.
A vida do economista entrou em parafuso quando o Bank of America se deparou com um rombo de R$ 50 milhões nas contas do Banco Liberal, em setembro passado. O Liberal estava sob controle do banco americano desde 1997, mas sua gestão ainda cabia aos três sócios brasileiros que ocupavam os principais cargos na instituição. Lemgruber era um deles, o responsável pela área internacional. A suspeita caiu sobre ele quando o Bank of America assumiu o controle integral do banco, em agosto. Uma auditoria detectou o buraco no caixa e descobriu que parte sumira em operações irregulares nas Bahamas, nas quais usava-se contas de laranjas e CDBs falsos para o desvio de recursos. Lemgruber deixou o banco e sumiu do mapa. Manteve apenas contato com o Bank of America, por meio de advogados, e acusou seus ex-sócios Aldo Floris e Lauro de Luca pelo sumiço do dinheiro.
Sozinho. Sua vida, porém, mudou de vez. Amigos reunidos ao longo de quase 30 anos de convivência no mercado sumiram. As pessoas preferem dizer que mal o conhecem ou que perderam contato há muito tempo. Sem julgamento para as acusações que o atingem, já está condenado perante a maioria de seus pares do mercado. O prestígio de ex-presidente do Banco Central, que ajudou a erguê-lo a banqueiro, caiu no esquecimento. Lemgruber freqüentava também o Jockey Club Brasileiro, no Rio, onde sua equipe de cavalos fora por três vezes seguidas a campeã de prêmios da temporada. Passou a evitar o clube. E perdeu o título no ano passado por apenas R$ 1 mil. Nas cocheiras da equipe, sua presença rareou ainda mais após o início do novo negócio. Vendeu a filial de sua equipe em São Paulo, leiloou 85 cavalos e decidiu se dedicar a uma atividade mais retirada, a criação de cavalos. Seu haras fica também em Petrópolis, como o novo escritório. Mudou sua vida para o interior.