05/07/2006 - 7:00
André Beer: “Não tinha idéia da força do meu nome”
Na segunda-feira 26, durante um jantar de comemoração dos 50 anos da Anfavea, o cidadão aposentado André Beer ouviu dezenas de vezes a expressão: ?Bons tempos aqueles, hein?? Era uma referência ao quase meio século em que Beer, hoje com 74 anos, atuou na filial brasileira da GM ? lá entrou como auxiliar de escritório e chegou à vice-presidência. Não se iludam com o cargo. Na prática, ninguém mandava mais na empresa do que ele, nem mesmo os 15 presidentes com os quais trabalhou diretamente e que, no organograma, apareciam como seus chefes imediatos. Havia também na saudação dos ex-companheiros um certo saudosismo. Sob sua batuta, a GM viveu seus melhores momentos no País, com o lançamento de modelos campeões de venda, a exemplo do Opala, Chevette, Vectra e Astra. Hoje, abatida pela crise mundial da companhia e pelos recorrentes prejuízos no Brasil, é possível que executivos sintam saudade dos tempo de Beer. Mas Beer sente saudades dos tempos de GM? ?Se eu soubesse como seria minha vida atualmente, teria me aposentado dez anos antes?, revela ele. ?Eu não tinha idéia da força de meu nome.?
A assinatura ?André Beer? é responsável por sua principal atividade nos dias de hoje: ?fechador? de negócios. Graças à extensa agenda de nomes que colecionou ao longo da carreira, Beer dedica-se à intermediação na compra e venda de companhias. Recentemente conduziu o processo de aquisição da Polipron, fabricante de autopeças, para a Gestanp, empresa espanhola do mesmo setor. Valor do negócio, segundo o mercado: cerca de R$ 35 milhões. Sobre a escrivaninha de Beer, há mais dois mandatos de venda de companhias familiares. Juntas valem cerca de US$ 90 milhões. Beer não revela nomes. ?São processos longos?, diz ele. O escritório de Beer tem sido parada obrigatória de investidores estrangeiros interessados no mercado brasileiro. Na semana passada, um uruguaio desembarcou por lá. Trazia a proposta de vender, no Brasil, carros chineses montados no Uruguai. ?Ele queria que eu me envolvesse no projeto. Eu disse que não quero trabalhar mais. Talvez dê consultoria para ele?, afirma Beer. O ex-executivo garante que não conseguiu cumprir a promessa de trabalhar menos depois da aposentadoria. ?Lamentavelmente venho ao escritório todos os dias?, diz. ?Meu expediente deveria ir da segunda-feira à tarde a sexta-feira pela manhã, mas ainda não atingi esse estágio. Muita gente me procura.?
Será difícil para Beer livrar-se desse assédio. Seu nome era uma referência no setor automobilístico, num patamar semelhante ao de outro chefão, Wolfgang Sauer, ex-presidente da Volks. Por duas vezes, ao longo de seis anos, foi presidente da Anfavea. Na GM, tornou-se responsável pelo lançamento do primeiro automóvel da montadora produzido no Brasil, o Opala. ?Eu mesmo vendi o projeto à matriz?, lembra ele. Beer quebrou outro tabu dentro da organização. Em 1963, foi nomeado controller da filial brasileira. ?Era um posto cativo dos americanos em todas as subsidiárias. Fui o primeiro nativo a receber essa incumbência?, orgulha-se. Hoje, ele não mantém o saudosismo típico dos ex-funcionários de grandes corporações, mas acompanha de perto os percalços da empresa onde trabalhou por 50 anos. ?A empresa terá de reduzir as operações nas fábricas de São Caetano do Sul (SP) e de São José dos Campos (SP)?, aconselha ele. ?A unidade de Gravataí (RS) é a melhor opção para os próximos investimentos, pois lá os custos são menores.? É bom ouvi-lo. Há gente que paga por seus conselhos. ![]()
ÁLBUM DE RETRATOS |
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Líder na GM: Chefão da área comercial, definia lançamentos e garotos-propaganda como Pelé | Líder no setor: Presidente da Anfavea, era interlocutor de presidentes e ministros | ||||

