O presidente do Banco Opportunity, Dorio Ferman, assistiu de camarote, com toda a fleuma, aos acontecimentos que injetaram tensão no primeiro trimestre, como o caso Waldomiro Diniz e os revezes do governo na luta para aprovar o salário mínimo. Não que ele desdenhe dos problemas que tiram o sono de seus colegas administradores de fundos. A questão aqui é de experiência. O engenheiro nordestino (nascido em Natal, criado em Recife e radicado no Rio de Janeiro) que há 10 anos fundou o Opportunity ao lado de Daniel Dantas é também o criador e o principal gestor do Opportunity Lógica II, o mais antigo fundo de investimento em ações do País. Lançado em março de 1986, um mês depois do início do Plano Cruzado, ele passou por traumas como o confisco do Plano Collor, as crises do México, da Ásia e da Rússia, além do estouro da bolha da Nasdaq, do atentado terrorista de 11 de setembro e da conturbada eleição do presidente Lula. Tudo isso sem nunca perder em rentabilidade para o Ibovespa. Quem investiu US$ 10 mil no lançamento do fundo obteve um retorno anual médio de 37,25% em dólar e chegou ao final de 2003 com um patrimônio de US$ 2,8 milhões. O mesmo capital remunerado pelo Ibovespa não passaria de US$ 34,6 mil.

Ao longo destes 18 anos, o Lógica II esteve algumas vezes no vermelho e, nos momentos críticos, caiu junto com o mercado. ?Só é possível ganhar dando-se o direito de às vezes perder. Mas o risco tem de ser calculado?, ensina Ferman, uma estrela do mercado financeiro que, em nome de sua privacidade, não se deixa foto-
grafar. Na sua galeria de pesadelos financeiros, o Plano Collor tem lugar de destaque como ?uma época triste de se lembrar?, mas nada se compara ao ?Caso Naji Nahas?, que resultou na quebra da Bolsa do Rio em 1989. ?Aquilo foi crítico. O mercado ficou parado e criou-se uma situação muito difícil?, lembra o executivo. Admirador assumi-
do do investidor Warren Buffett, que se opõe com seu estilo conservador à ousadia que celebrizou George Soros, Ferman diz que o segredo da longevidade de seu fundo é uma combinação de baixa alavancagem com consistência na análise das empresas. ?Compramos as ações que achamos que estão baratas, esperando que, com o tempo, o mercado pense igual a nós?, ensina. Soa banal, mas um número crescente de investidores endinheirados acredita que dá certo. Com patrimônio de R$ 870 milhões, o Lógica II é um dos maiores fundos de ações abertos (para investimentos a partir de R$ 100 mil) do País. ?Os fundos que vão longe são mesmo aqueles que não exageram no risco e escolhem bem seus papéis?, atesta Luis Fernando Lopes, economista-chefe do Pátria Banco de Negócios. ?Quem trabalha muito alavancado tem que acertar sempre, porque do contrário quebra?, adverte. Nomes como Linear, Garantia ou Liberal são um incômodo lembrete de que o apetite por risco é importante, mas os fundos, como os peixes, às vezes morrem pela boca.