19/01/2005 - 8:00
O governo começou a mexer em um ponto vital da economia ? as agências reguladoras. Terminaram os mandatos dos presidentes das três principais delas, a Anatel, de telecomunicações, a Aneel, de energia elétrica, e a ANP, de petróleo. Chegou, portanto, a hora do governo do PT sinalizar para os investidores que tipo de perfil quer para o comando dessas instituições. Só aí, já seria um tema relevante. Contudo, há uma outra questão econômica em jogo. São exatamente esses três setores, cujos preços são controlados pelas agências reguladoras, que vêm puxando a inflação. Até agora, apenas o novo presidente da Aneel já foi escolhido e tomou posse na sexta-feira 14. É o engenheiro Jerson Kelman. Este é definitivo. Na Anatel, há um interino no cargo, Elifas Gurgel, que trabalha para ser efetivado. Na ANP, o mandato do diretor-geral Sebastião do Rego Barros termina no sábado 15, sem sucessor à vista. O mais provável é que tome posse ? mas como interino ? o atual diretor Haroldo Lima, ex-deputado do Partido Comunista do Brasil, PC do B. Uma boa aposta é a efetivação na ANP de José Mário Abdo, que era chefe da Aneel até dezembro. ?Se colocar um político, o governo estará sinalizando que não quer investimentos privados nesses setores?, alerta Adriano Pires, diretor do Centro Brasileiro de Infra-estrutura.
Os novos chefes das agências deverão atravessar os próximos meses envolvidos no debate sobre inflação. Dos 525 itens pesquisados pela Fipe, apenas 16 foram responsáveis por quase a metade da inflação de 2004, de 6,56%. Energia elétrica e telefone, por exemplo, estiveram entre os vilões da inflação. O mesmo fenômeno já havia ocorrido em 2003. Desde julho de 1994 o índice de preços da Fipe subiu 154%. Serviços de utilidade pública como luz e água, além do gás de botijão, aumentaram quase o dobro disso, todos no patamar de 300%. O campeão da inflação é a assinatura do telefone fixo, que subiu 706% no período. O problema é que, nos contratos, está prevista a correção das tarifas pelo IGP, que leva em conta preços de produtos de atacado. ?Pelo IGP, a conta de luz aumenta porque o preço internacional do aço subiu?, explica Paulo Picchetti, da Fipe. Muitos técnicos prevêem que o problema se repita em 2005. Como o IGP em 2004 foi o dobro da inflação ao consumidor, ele deve continuar pesando neste ano. A Aneel, por exemplo, vai autorizar este ano 64 diferentes reajustes, um para cada distribuidora. Os reajustes do gás e dos combustíveis, por sua vez, são decididos pela Petrobras. O que a ANP faz é regular o poder de fogo da estatal através dos leilões dos blocos de exploração. ![]()