27/07/2004 - 7:00
Afebre do investimento on-line contagiou, enfim, a Bolsa de Mercadorias e Futuros. Até o final de outubro, a BM&F lança o seu sistema de transação pela internet voltado para pessoas físicas. Batizado de web trade, a nova plataforma permitirá que o investidor negocie minicontratos a partir do seu computador. Os minis, como são conhecidos, têm valor mais baixo do que os contratos tradicionais. Hoje, a BM&F oferece minis de dólar e do índice da Bolsa de Valores de São Paulo, o Ibovespa. Funciona assim: cada contrato de dólar custa US$ 50 mil. Já o mini é negociado a US$ 5 mil. Com a abertura das operações pela internet, a bolsa espera aumentar o volume de aplicações de investidores comuns. O serviço estréia com uma novidade, a negociação de minicontratos de boi gordo. ?A intenção do web trade é facilitar o acesso à Bolsa, baratear os custos e permitir que os pequenos investidores também operem no mercado futuro?, afirma José Carlos Branco, diretor de pregão da BM&F. ?Com a internet, nosso potencial de crescimento é enorme.?
A rede mundial de computadores já deu provas de que é capaz de turbinar os negócios. Um exemplo é a Bovespa, a poucos metros da sede da Bolsa de Mercadorias. Com a entrada do sistema de compra e venda on-line de ações, o chamado home broker, a Bovespa viu as transações darem um salto. Em abril de 1999, quando foi inaugurado, apenas seis corretoras ofereciam o home broker aos seus clientes, que respondia por 0,58% dos negócios da Bolsa. Hoje, o sistema é utilizado por 40 corretoras. Em junho, a compra e venda de ações via internet somou R$ 1,7 bilhão, equivalente a 12,86% dos negócios da Bovespa. Corretores e operadores esperam que o mesmo fenômeno se repita na BM&F. Hoje, o volume de minicontratos negociados diariamente não chega a 1% do total. No último dia 20, por exemplo, a negociação com os minis somou pouco mais de R$ 105 milhões, contra um total de cerca de R$ 60 bilhões da BM&F. ?O web trade é a ferramenta que faltava para o investidor comum perceber que ele também pode ganhar dinheiro no mercado futuro?, diz Gregorio Mancebo Rodriguez, vice-presidente da Associação Nacional dos Investidores do Mercado de Capitais (Animec). De olho no novo mercado, empresas como a CMA, dona de terminais de negociação e análise de informações financeiras, já se preparam para a chegada dos novos clientes. ?Depois que a BM&F anunciar os parâmetros técnicos, em 30 dias colocamos o nosso produto na rua?, diz Romualdo Salata, diretor geral da CMA. ?É só entrar e começar a negociar.?