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O EMPRESÁRIO GAÚCHO Verno Lauro Kirsch Júnior, 30 anos, sempre gostou de basquete. Mas com apenas 1,70 metro de altura ele jamais pensou em tentar ganhar a vida nas quadras. Apesar disso, se manteve ligado ao esporte. Quer seja nas partidas que disputa nos finais de semana com amigos, como acompanhando freneticamente os jogos da modalidade pela televisão. Graduado em administração de empresas, Kirsch Júnior assumiu os negócios da família, a trading GVD International, e acabou inscrevendo seu nome na galeria da National Basketball Association, a NBA. Não como jogador. É que a GVD acaba de assinar um contrato de cinco anos para a produção e venda dos itens usados pelos jogadores da liga. O acordo, válido para a América Latina, prevê a venda de US$ 100 milhões em tênis, roupas e agasalhos. “Do México até o Uruguai, quem representa a NBA sou eu”, gaba-se Kirsch Júnior. E não é para menos. Afinal, a NBA é uma verdadeira máquina de fazer dinheiro cujo prestígio extrapola as fronteiras dos Estados Unidos. Mesmo em um país como o Brasil, onde o basquete vive um período de longo ostracismo, na avaliação de especialistas. “O uniforme de astros como Kobe Bryant e LeBron James é objeto do desejo para jovens de todos os cantos do planeta”, opina o consultor José Carlos Brunoro, dono da Brunoro Sports. Sem contar que três brasileiros se destacam em times de ponta como o Cleveland Cavaliers, onde atua o alapivô Anderson Varejão.

 

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A entrada da GVD nas quadras de basquete não se limitará aos uniformes das equipes. A companhia também possui acordo para produção e distribuição das prestigiosas bolas e tabelas Spalding, grife centenária controlada pelo megafinancista americano Warren Buffett. Além disso, os brasileiros também poderão desenhar calçados e roupas exclusivas nas quais estamparão a marca NBA, algo inédito na história da liga.

Para atingir o status de sinônimo de basquete no continente, o empresário montou um plano estratégico que prevê investimentos em várias frentes. Começou com a assinatura de um contrato de patrocínio, no valor de R$ 1,5 milhão, com a Confederação Brasileira de Basquete (CBB). O valor, diluído por três anos, garantirá que a Spalding seja a bola e a tabela oficial da Liga Nacional de Basquete (LNB). Além de tirar a brasileira Penalty das quadras, a GVD também pretende organizar campeonatos interescolares no Rio Grande do Sul e em São Paulo. Para chegar mais perto do consumidor, a empresa vai reforçar o esquema de distribuição dos produtos. Hoje, eles são encontrados em 3,5 mil pontos-devenda e a ideia é adicionar outros três mil, apenas no Brasil, até o final do ano. “Vamos colocar os itens com as marcas Spalding, NBA e dos times de basquete em pelo menos uma loja de cidades com mais de dez mil habitantes”, conta Pablo Oliver, gerente de marketing da GVD, sem revelar, no entanto, as cifras que serão gastas nessas ações.

Fundada no início da década de 1980, a GVD foi concebida para operar como trading, atendendo às encomendas do polo calçadista situado na Serra Gaúcha. Na década de 1990, Kirsch Júnior enxergou a oportunidade de expandir as operações, funcionando como agente de desenvolvimento e de produção de roupas e calçados para grifes americanas e européias. A lista inclui potências como a marca americana de calçados Kenneth Cole, a francesa da área de vestuário JB Martin e a rede britânica de lojas River Island. A GVD faz o desenho, compra a matéria-prima e contrata espaço de produção em fábricas no Brasil e na China. “Somos responsáveis por 30% da exportação de sapatos do Brasil”, gaba-se o sócio da GVD. A recém-criada divisão de esportes, aposta ele, deverá representar cerca de 15% das receitas da empresa ao final de 2009.