DENTRO DO LOUNGE VIP DO WTC HOTEL, em São Paulo, o administrador Gilberto Bomeny recusa a bebida oferecida pela garçonete no fim do dia. É noite de confraria e ele, que faz parte do Clube dos 12 ? em que degusta vinhos com amigos ? e participa de reuniões desse tipo há mais de 20 anos, é o anfitrião da vez. Na terça 3, a reunião acontece no Clube A, espaço que abrirá em breve, substituindo o antigo restaurante Goya, dentro do WTC, e que faz parte de uma série de estratégias para colocar de novo o complexo na vanguarda. ?Estamos concretizando várias obras que vão nos tornar inigualáveis como produto e já estudamos a oportunidade de vender o WTC acoplado a uma outra marca.? Bomeny tem consciência de que a hora é favorável, principalmente pela relevância com que o empreendimento desponta na mídia internacional. Em recente edição da revista de negócios norte-americana Fortune, o empreendimento foi o único da América Latina citado em uma lista dos melhores novos hotéis de negócios do mundo.

Para entender o sucesso atual é preciso compreender como o complexo funciona: concluído em 1995, foi o primeiro na hoje borbulhante região da Berrini ? pólo que concentra sedes de multinacionais ?, comporta 25 andares que formam o edifício de escritórios WTC Tower, um centro de convenções com capacidade para cinco mil pessoas, o recém-inaugurado Golden Hall (espaço multifuncional para 2,5 mil pessoas), o hotel com 297 suítes ? com taxa média de ocupação de 65% ? e um shopping de decoração, o D&D, com 100 lojas, que geram receita anual de R$ 250 milhões. E há mais. Nas ruas ao redor estão mais 2,7 mil quartos de redes de hotéis concorrentes, que hoje alugam os espaços do centro de convenções para fazer seus eventos. ?Não existe nada na América Latina com esta infra-estrutura e que tenha à disposição, à sua volta, três mil quartos?, ressalta ele, que tem a concorrência como parceira nas iniciativas de negócios. E há mais. Nas ruas ao redor estão mais 2,7 mil quartos de redes de hotéis concorrentes, que hoje alugam os espaços do centro de convenções para fazer seus eventos. ?Não existe nada na América Latina com esta infra-estrutura e que tenha à disposição, à sua volta, três mil quartos?, ressalta ele, que tem a concorrência como parceira nas iniciativas de negócios.

Discreto, Bomeny revela aos poucos o que pretende fazer à frente da administração de um empreendimento dividido em 300 cotas, geridas por um fundo americano, pela sociedade anônima Hauscenter, pela administradora WTC ? AI e por outros fundos de pensão brasileiros. Desde que rompeu com a bandeira Meliá, em 2006, ele toca o projeto que vale R$ 1 bilhão ? segundo ele revela, esta projeção é conservadora ?, gera mais de R$ 600 milhões por ano e está investindo, de 2007 a 2009, cerca de R$ 80 milhões. ?As empresas norte-americanas, um dos melhores públicos, fazem os eventos, mas preferem hospedar seus executivos em um dos hotéis da rede deles, mas nós somos a opção mais cômoda porque tudo acontece aqui. Queremos conquistar estas empresas.? Bomeny e equipe usam a criatividade do conceito hotel-butique ? ou personalizado ? como um dos trunfos. São 87 suítes decoradas por arquitets e decoradores de renome que dão toque de aconchego e classe para os executivos que vivem na estrada. Segundo o gerente- geral do complexo, Carlos Eduardo Hue, essas suítes correspondem a 25% da receita do hotel. O complexo também amplia, a partir do ano que vem, 50% do espaço do shopping D&D. ?Estou totalmente focado no empreendimento.?

Ele tem razão de estar. Afinal, o empreendimento demorou 16 anos para começar a ser construído e mais sete para ser concluído e foi protagonista de uma série de imbróglios. Na década de 70, ele viajou a Paris para conquistar a representação da marca no Brasil. E conseguiu. O terreno, inicialmente de 75 mil metros quadrados, reduziu-se aos atuais 25 mil metros, depois de uma série de negociações que resultou na angariação de recursos com os fundos de pensão da Abrapp, a Associação Brasileira dos Fundos de Pensão, e uma boa influência em Brasília. E algumas transações nos bastidores acabaram rendendo-lhe até envolvimento em escândalos da antiga Sudam e um pedido ? por parte dele ? de indenização na Justiça. Mas Bomeny não quer falar no passado. Quando questionado sobre o lado pessoal, cita apenas seu hobby preferido: o vinho. Afinal, é noite de confraria.