Aldo Lorenzetti é um sobrevivente na história empresarial brasileira. A trajetória de sua empresa confunde-se com o processo de industrialização do País. A exemplo dos Matarazzo e dos Crespi, pioneiros do mundo da produção, fincou as primeiras chaminés na cidade de São Paulo há 80 anos, numa larga avenida coberta de paralelepípedos no bairro da Móoca. Como eles, sua origem é italiana, herdada do avô Alessandro, o fundador da companhia. Há uma fundamental diferença em relação às demais grifes industriais: a Lorezentti continua viva. Ao contrário dos ?conterrâneos?, sobreviveu à abertura da economia brasileira (aos trancos e barrancos, é verdade), manteve a totalidade do capital em suas mãos e agora parte para o lançamento de metais sanitários (torneiras, sifões, etc). ?Queremos aproveitar a força da marca?, diz Aldo Lorenzetti. O sobrenome de Aldo tornou-se sinônimo de chuveiro no País desde 1953, quando lançou no mercado o primeiro equipamento elétrico do gênero. Hoje, quando se fala de chuveiro, a imagem que surge na mente dos consumidores é a de um Lorenzetti.

 

Aos 65 anos, Aldo pretende ao mesmo tempo aproveitar essa vantagem e reduzir a dependência em relação a ela. Experiências passadas de diversificação lhe deixaram um gosto amargo. Nos anos 80 apostou na fabricação de equipamentos para usinas hidrelétricas. ?Fornecíamos mais da metade dos componentes necessários para uma subestação?, diz Aldo. Tudo ia bem até as estatais do setor lhe darem um calote monumental. ?Acabamos em concordata?, relembra. Dois anos depois estava fora dela, mas o gigantismo nunca mais voltou. O faturamento, que atingiu US$ 250 milhões nos bons tempos, hoje está em R$ 250 milhões. O lucro equivale a 16% das receitas. ?Somos os mais rentáveis do setor?, diz ele.

Essas turbulências foram responsáveis pelo afastamento de Aldo da vida pública. Durante anos, como presidente da Abinee, entidade que reúne os fabricantes de eletroeletrônicos, era uma voz sempre ouvida sobre temas econômicos ? uma voz afiada, como se vê na entrevista abaixo. O próximo passo seria a presidência da Fiesp, mas preferiu recolher-se ao conselho de administração da empresa. Há dois anos retornou à presidência, substituindo um executivo. Os motivos para a mudança, ele não conta. ?Foram problemas internos?, despista. A Lorenzetti vive hoje uma situação híbrida. Aldo afirma que entregará o dia-a-dia aos executivos. Alguns familiares, porém, possuem cargos na companhia. Não há regras disciplinando o ingresso de parentes. É assunto tabu na Lorenzetti, mas terá de ser abordado se ela quiser continuar sendo sinônimo de chuveiros.

?Somos cobaias dos economistas?
O governo Lula frustrou os industriais?
O filme começou animado, mas continuamos sendo cobaias dos economistas de Brasília. Eles acreditam que nossa inflação é de demanda, mas nossa inflação é de custos.

Por que eles erram?
Eles não sabem que a indústria tem um terço de capacidade ociosa e não haverá inflação caso o País cresça. Eles não conhecem a economia real, nunca viram uma duplicata.

Qual a solução?
O governo toma muito cuidado em não correr riscos. Para o País voltar a crescer, temos que correr riscos.

As entidades empresariais não deveriam alertar para isso?
As entidades falharam. Não temos representatividade no Congresso. Há bancada ruralista, sindicalista, até religiosa. Onde está a bancada ?industrialista??