As ações das companhias listadas no Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE) da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) estão ganhando a corrida da rentabilidade em relação às demais. De acordo com estudo da área técnica da Bovespa, os papéis das 28 empresas relacionadas na primeira edição do ISE subiram 28,8% nos últimos 12 meses, 3,54 pontos percentuais acima do acumulado no período pelo Ibovespa. ?O ISE funciona como um importante indicador, pois mostra o compromisso dos controladores e dirigentes de uma corporação com a gestão sustentável do negócio?, pondera Paulo Itacarambi, diretor-executivo do Instituto Ethos. Não foi por outro motivo que 60 empresas se candidataram para figurar na versão 2006/2007 do ranking. O resultado, divulgado na quinta-feira 28, inclui algumas novidades. A principal delas é o crescimento de 28 para 34 no número de participantes. Da lista anterior foram excluídas quatro (Cesp, Copesul, Eletrobras e WEG) e outras dez foram integradas ao clube. São potências do porte de Gerdau, Coelce, Suzano, TAM, Ultrapar, Braskem e Petrobras, por exemplo, que, juntas, têm valor de mercado estimado em R$ 700,7 bilhões ou 48,5% da capitalização total da Bovespa. Elas foram avaliadas de acordo com os seguintes critérios: sustentabilidade do negócio e sua política de responsabilidade social e ambiental.

Quem mais festejou a inclusão no ranking foi a Petrobras. É que apesar de ter um porte mastodôntico (receita líquida anual de R$ 117 bilhões e lucro de R$ 20,7 bilhões no período janeiro-setembro) a estatal do segmento de energia ainda não tinha inscrito o nome na galeria onde já figuram suas rivais globais: Shell, Total e Chevron. ?Estamos comemorando uma vitória dupla, já que também fomos aceitos no índice de sustentabilidade da Bolsa de Valores de Nova York?, diz Raul Campos, gerente executivo de Relações com Investidores da Petrobras. ?Isso mostra que estamos no caminho certo em nossa política de governança corporativa, na responsabilidade ambiental e na valorização das comunidades nas quais atuamos?, completa. Além disso, a estatal brasileira tem a oportunidade de diferenciar-se de competidoras de países emergentes como China e Rússia. Isso porque pesam sobre as companhias dessas nações dúvidas relativas aos cuidados com o meio ambiente e à transparência administrativa.

A presença em índices como o ISE funciona também como um chamariz para atrair investidores globais. Calcula-se que os fundos éticos, que canalizam seus recursos apenas para papéis com esse tipo de pedigree, acumulem patrimônio de US$ 4 trilhões. No Brasil, apesar de essa indústria ainda ser incipiente, as seis aplicações desse tipo já somam R$ 500 milhões. Valor considerado elevado, já que foi amealhado em apenas um ano. E a tendência é crescer mais. ?A percepção dos investidores é que tais empresas são melhor administradas que as demais?, opina Ricardo Pinto Nogueira, superintendente de operações da Bovespa. Segundo ele, a tendência se repete na Inglaterra e na África do Sul, outras nações cujas bolsas de valores adotam índices de sustentabilidade.