16/09/2009 - 7:00

A contragosto, a norte- americana GM cedeu à pressão política exercida pelo governo alemão e, na última quinta feira, deu sinal verde para que seja concretizada a venda da subsidiária alemã Opel à fabricante austro-canadense de autopeças Magna. Até então, o acordo de venda, anunciado em maio, estava por um fio. Fortalecida pela injeção de recursos do governo dos EUA (hoje seu maior acionista), a GM se sentiu confortável para reavaliar o negócio fechado com a Magna. Nesse período, recebeu propostas de outras companhias, as principais vindas da italiana Fiat e da chinesa BAIC. Outra alternativa ao negócio seria manter a Opel em seu portfólio, enxugando suas operações. As opções da GM causaram pânico no governo alemão. Por um lado, as outras candidatas a abocanhar a Opel não teriam nenhum escrúpulo em demitir funcionários e fechar fábricas na Alemanha. Por outro, abriam a porta para uma invasão chinesa, algo que os alemães, como os europeus em geral, tentam evitar a qualquer custo.
A decisão em favor da Magna só saiu graças à atuação de ninguém menos que Angela Merkel, a chanceler alemã, que acabou unindo o útil ao agradável. Para ela, a venda da Opel para a Magna, nos termos do acordo de maio, é uma vitória importante em sua campanha para conseguir a reeleição, no pleito do próximo dia 27. “Isso mostra que a paciência e a determinação do governo federal foram recompensadas”, disse a chanceler ao anunciar a venda, claramente chamando para si os louros. A própria GM deixou claro que a escolha pela Magna foi bastante influenciada pela atuação do governo alemão. “O trabalho duro das duas últimas semanas para esclarecer todas as dúvidas e definir os detalhes do pacote financeiro do governo alemão levaram a GM e seu conselho de diretores a recomendar a Magna”, disse Fritz Henderson, presidente e executivo-chefe da GM. “Agradecemos todos os envolvidos nesse intenso processo nos últimos meses – em especial o governo alemão – pelo apoio contínuo que tornou possível esse negócio”, concluiu o americano.
Quando o acordo foi fechado, em maio, o governo alemão se comprometeu a oferecer 4,5 bilhões de euros em garantias de empréstimo para que a Magna recuperasse a Opel. Em troca, obteve a promessa da austro-canadense que não iria fechar nenhuma das fábricas na Alemanha. “O governo alemão pensou no peso político de salvar mais de 50 mil empregos diretos, por isso insistiu no acordo”, diz o consultor da indústria automobilística, Paulo Sérgio Rosa. O problema, diz, é que a GM tem no governo dos EUA uma quase inesgotável fonte de recursos, algo que a Magna não tem. No futuro, isso pode prejudicar a gestão da Opel.

Agradecimento Forçado: Henderson, da GM, agradeceu o “apoio” de Merkel, que convenceu a empresa a honrar a venda da Opel para a Magna
Em declaração à DINHEIRO, o presidente da operação brasileira da GM, Jaime Ardila, diz que a venda “não tem impacto algum sobre a GM do Brasil”. “A Opel continuará totalmente ligada à GM no desenvolvimento de produtos e tecnologia”, completou o executivo. Na opinião do ex-vice-presidente da montadora e hoje consultor, André Beer, porém, o Brasil será beneficiado pelo acordo. “Isso aumenta a independência da operação brasileira. Também eleva a importância da GM Brasil num contexto global”, diz.
Angela Merkel
“A paciência e a determinação do governo federal foram recompensadas”
Apesar do sinal verde do conselho da GM, porém, o negócio só será efetivamente concretizado após resolvidas algumas pendências, entre elas a implementação do pacote de auxílio do governo à reestruturação da Opel. Outra condição é que os sindicatos de trabalhadores enviem, por escrito, seu apoio ao acordo, reconhecendo a necessidade de ações para reduzir custos na empresa e garantir sua viabilidade. O interesse continua sendo totalmente de Merkel em dar à GM o que ela quer. Caso seja bem-sucedida, a Magna se tornará, junto com o banco russo Sberbank, dona de 55% do capital da Opel. Do restante, 35% permanecerá nas mãos da GM e 10% será transferido aos funcionários da companhia.