Em entrevista a DINHEIRO, por email, Steven Levitt trata de alguns de seus temas prediletos, como a corrupção, a relação entre candidatos e empresários e a atávica mania dos lutadores de sumô em combinar o resultado das disputas. Acompanhe: DINHEIRO – O senhor brinca com os números para demonstrar a dificuldade do ser humano em escapar à corrupção. Somos todos corruptos? LEVITT ? A maioria das pessoas é honesta, mas ao receber incentivos errados, algumas vezes, muitos trapaceiam. Em meus estudos, apenas 5% dos professores escolares aderem a embustes, enquanto a maioria dos lutadores de sumô está envolvido com trapaças. É natural, os lutadores de sumô têm muito mais a ganhar com a fraude do que os professores. A gorjeta que damos ao garçom no restaurante ou ao funcionário do hotel cinco estrelas ajuda a alimentar a malha de corrupção? Oferecemos gorjetas porque elas nos fazem sentir bem. Faço isso não para esperar um serviço melhor da próxima vez, mas porque seria uma má pessoa se tratasse o garçom sem cortesia, a ponto de constrangê-lo. É possível fazer uma campanha eleitoral sem irregularidades nas prestações de contas? Nos Estados Unidos, grande parte das eleições é limpa. Há atenção redobrada da oposição e os eleitores irritam-se quando o dinheiro é manipulado de forma desonesta. O contato do político com um empresário, na fase de campanha, resultará inevitavelmente numa relação corrupta? Em outras palavras: ?pago hoje para ter benefícios amanhã??. A maioria dos empresários contribui com políticos porque pensa receber algo em troca, no futuro. Isso é corrupção? Não tenho certeza. Nos Estados Unidos, ao menos, as contribuições são relativamente pequenas diante do tamanho da máquina do Estado. O gasto com todas as campanhas somadas é quase o mesmo desembolsado com a fabricação de chicletes. Quem mente mais, os políticos ou os economistas? Os políticos, eu acho. Eles têm mais instâncias para mentir e suas reputações dependem da reeleição, e não da correção. Já para os economistas, ser correto ajuda muito. A queda do Muro de Berlim, o desmantelamento do bloco soviético, os problemas em Cuba. Esses eventos anunciam o fim do comunismo enquanto idéia? Algum dia viveremos em igualdade econômica e social? Provavelmente nunca. Sem incentivos fortes, as pessoas não trabalham pesado. Se todo mundo é igual, independentemente do quanto trabalha, então o trabalho duro pode significar muito pouco. Creio que a igualdade de oportunidades é o máximo que podemos almejar. A pessoa talentosa e dedicada teria uma razoável chance de ser bem sucedida, apesar das circunstâncias de seu nascimento. ?É a economia, estúpido?, cravou um antigo assessor de Bill Clinton. Tudo é economia? É inquestionável que a riqueza importa, e a fonte de toda riqueza é o crescimento econômico. Mas as pessoas se motivam por outras coisas além do dinheiro. Nos preocupamos com o que os amigos pensam de nós, e como nos sentimos diante de nossa postura. Em uma sociedade bem sucedida, trabalhamos para incentivar as pessoas a se preocuparem umas com as outras. |