28/01/2009 - 8:00
A PARTIR DO FINAL DO SÉCULO XIX o Brasil começou a receber milhares de imigrantes italianos que viam o País como uma espécie de terra prometida. Pouco mais de 100 anos após a chegada das primeiras levas de napolitanos e calabreses, uma milanesa ilustre se prepara para desembarcar por aqui. Trata-se da Frascold Spa., fabricante de compressor para os segmentos de refrigeração industrial e comercial. O produto é considerado o ?coração? de aparelhos de ar-condicionado de grande porte, câmaras e balcões frigoríficos. Fundada em 1936, a empresa se tornou a líder do setor na Itália e a segunda força da Europa, atrás da alemã Bitzer. O sucesso acabou entorpecendo empresarialmente Innocent Fraschini, presidente e controlador da Frascold, que focou demasiadamente sua atuação no Velho Continente. Resultado, a companhia perdeu peso global e suas receitas estagnaram no patamar de US$ 65 milhões ? montante quase nove vezes menor que o faturamento da concorrente germânica. Entre se deixar engolir pelas rivais ou simplesmente fechar as portas, a direção da Frascold optou por uma terceira via: crescer. E o Brasil foi o país escolhido para abrigar a nova base produtiva da corporação. Em uma primeira fase, prevista para durar três anos, serão gastos cerca de US$ 13 milhões para implantar uma estrutura de vendas, marketing, distribuição e assistência técnica. A operação local será feita em parceria com a brasileira RecomService ? situada em Caieiras (SP) e especializada na venda de equipamentos de refrigeração.
Trata-se de um mercado que está em franca expansão. Movimenta R$ 4 bilhões por ano e cresce na faixa dos 20%, impulsionado pelo crescimento do número de shopping centers e supermercados. Os compressores com a grife Frascold vão brigar em uma fatia que gira em torno dos R$ 250 milhões em encomendas por ano, valor suficiente para aguçar o apetite de suas competidoras globais ? muitas das quais com longa tradição por aqui. Algumas, como a Bitzer, têm até mesmo operação fabril. Para se diferenciar das rivais, Fraschini está apostando na produção local de seus modelos top de linha, que consomem 11% menos energia e são 77% mais leves que os similares. ?Esses produtos são fruto de um trabalho de pesquisa e desenvolvimento, que absorve 15% das receitas anuais da companhia?, explica Fábio Korndoerfer, dono da RecomService. Os primeiros compressores da grife desembarcam no País em junho. Até lá, a parceira local pretende concluir os trâmites burocráticos e estruturar as áreas de marketing, vendas e assistência técnica.

1. KORNDOERFER, DONO DA RECOMSERVICE: contratado para fazer um estudo de viabilidade do setor, ele se tornou sócio dos italianos
2. PUTTERI FILHO, DIRETOR DA RECOMSERVICE: ele será o responsável por definir a estratégia de venda dos produtos da Frascold no Brasil
A aproximação da RecomService e da Frascold aconteceu em meados de 2008, durante o processo de reestruturação vivido pela empresa italiana. O trabalho foi conduzido pela Creating Value Consultoria de Negócios, de Corrado Capelano. Foi ele quem sugeriu a contratação da RecomService, incumbida de produzir um relatório mostrando o potencial do mercado de compressores no Brasil. ?Como o setor carece de dados estatísticos oficiais, a Creating Value optou por acionar uma companhia intimamente ligada ao segmento?, conta Carlos Putteri Filho, diretor comercial da Recom- Service. O trabalho agradou tanto que Fraschini decidiu transformar o brasileiro em acionista minoritário da filial. Mas apesar da disposição dos italianos e da experiência de Korndoerfer, tudo indica que eles terão de suar a camisa para se dar bem por aqui.