18/10/2006 - 7:00
Alguns críticos literários compararam a parceria entre Steve Wozniak e Steve Jobs, co-fundadores da Apple, com a de John Lennon e Paul McCartney. Como Lennon, Wozniak sonhava em construir algo especial, novo e que realmente mudasse as coisas. Já Jobs, o homem do marketing e meio parecido com McCartney, só queria ficar rico e famoso mundialmente. Essa não é a versão que a história consagrou. Mas o livro iWoz, escrito por Wozniak e recém-lançado nos Estados Unidos, divulga mais ou menos esse ponto de vista. A partir do subtítulo (?De nerd de computadores a ícone cult: como eu inventei o computador pessoal, co-fundei a Apple e me diverti fazendo isso?), Wozniak se coloca no centro do furacão, com diversas revelações sobre a criação de uma das mais revolucionárias empresas do mundo. ?Há histórias que dizem que Steve (Jobs) e eu criamos aquele primeiro computador juntos, mas eu o fiz sozinho?, escreve Wozniak. O primeiro computador a que ele se refere é o Apple I, lançado em 1975 e que, anos depois, ajudaria a revolucionar o jeito de as pessoas produzirem e viverem. ?Todos os computadores, antes do ?Apple I?, tinham um painel frontal com switches e luzes?, escreveu Wozniak. ?Todo computador depois disso tem um teclado e uma tela.?
A revolução que começou numa garagem em Menlo Park, na Califórnia, foi antecedida de discussões animadas, mas nenhum dos membros do Clube de Computação Homebrew tinha noção do que iria acontecer. Na verdade, a idéia de colocar computadores nas mãos dos consumidores por poucas centenas de dólares, lançada pelo Clube, inspirou Wozniak a fazer o primeiro Apple. Mas, por pouco, ele quase não apareceu na reunião daquele 5 de março de 1975. ?Eu era tímido e achava que sabia pouco sobre o desenvolvimento de computadores?, escreve. A timidez, aliás, permeia o livro e explica em grande medida por que Wozniak, cujo apelido é o mágico de Woz, é pouco conhecido. Enquanto o familiar Jobs adora os holofotes e sabe como ninguém vender sua marca, Wozniak preferiu continuar trabalhando em cubículos com os outros engenheiros. Mesmo com tamanha diferença de estilo e personalidade, os dois Steves, ao contrário de Lennon e McCartney, continuam amigos e dividindo interesses. E, em vez de Beatles, preferem Bob Dylan desde a adolescência. ?Steve e eu ouvíamos Dylan e suas letras, tentando entender quem era melhor, Dylan ou os Beatles?, escreve. ?Nós dois preferíamos Dylan porque as músicas eram sobre a vida e valores que eram realmente importantes.? Algo com que os admiradores de Macintoshes e iPods certamente se identificariam.![]()