28/09/2005 - 7:00
Tem algo mais cafona do que usar sandália com meia? Não, diria a maioria das pessoas. E se a dupla levar a assinatura de uma das marcas nacionais mais famosas no exterior, a Havaianas? Bem, aí é outra história. É com essa segurança que a Alpargatas, dona da grife, está lançando a Havaianas Socks no mercado nacional. Trata-se de uma meia que se adapta ao contorno do dedão do pé, permitindo que ele se encaixe na sandália. É o primeiro passo da empresa para a expansão da marca, que nunca esteve tão sólida. No ano passado, a Alpargatas colocou 140 milhões de pares de sandálias no mercado, sendo que 10% deste volume foi parar no exterior. Em 43 anos de vida, calcula-se que tenha vendido 2,2 bilhões de chinelos. Alinhados, dariam cerca de 50 voltas em torno da Terra. Tamanha magnitude deu confiança para a empresa ampliar a grife. A escolha da Havaianas Socks surgiu a partir do resultado de uma pesquisa interna, que mostrou que 10% dos usuários de chinelo gostam de usá-lo com meia. Com a novidade, a empresa estréia num mercado que produz 490 milhões de pares ao ano e movimenta mais de R$ 1 bilhão.
Além disso, há a clara intenção da companhia de aumentar as vendas no inverno, considerando-se que chinelo é um produto sazonal. ?Nosso objetivo é fazer as sandálias transitarem tanto no inverno quanto no verão?, diz Márcio Utsch, presidente da São Paulo Alpargatas. Antes de colocar o novo produto em todas as praças brasileiras, a empresa fez testes no Rio Grande do Sul, em Santa Catarina e no Paraná, as regiões mais frias do País. ?No início, as pessoas se surpreendiam com a novidade, mas logo aprovavam a idéia?, conta Utsch. O executivo também sondou o mercado externo e as encomendas da Europa, dos Estados Unidos, da Austrália e do Japão já começam a chegar. O preço, em média R$ 10 o par, é caro? Não, responde Utsch. ?Essa não é uma meia, é uma Havaianas?, brinca. De fato, a marca Havaianas, na opinião de analistas, há muito já superou o produto. No exterior, os modelos mais incrementados, feitos sob encomenda, valem mais de US$ 100.
A nova estratégia da Havaianas divide opiniões. Para José Roberto Martins, consultor da Global Brands, a expansão é um recurso recomendado, desde que feito com cuidado, para que a marca não perca o sentido. ?A Havaianas está ligada ao Brasil, um país tropical, cheio de praias e muito sol, não tem nada a ver com meia. Ainda mais um modelo específico, que não permite o uso com outros tipos de calçados?, diz o consultor. ?A Havaianas começa mal a expansão da sua marca?. Ele cita ainda o exemplo da Coca-Cola, que ao tentar ampliar sua marca com novas versões do produto, como a Cherry Coke, se deu mal. Mas também há casos bem sucedidos. A Nike começou vendendo tênis e partiu para o ramo de roupas e acessórios esportivos com sucesso. ?A Nike não perdeu o foco. Sem dizer que com o dinheiro que eles têm podem colocar geladeira no mercado que vão vender?, acredita Martins.
Há, porém, quem veja a ampliação da Havaianas com bons olhos. ?Bem ou mal, todo mundo usa meia com chinelo, nem que seja dentro de casa. A Havaianas pode levar o par para as ruas?, diz Juliana Egydio Martins, sócia-diretora da Figo Design, empresa de design gráfico e consultoria de marcas. A Alpargatas está animada. Se as suas estimativas estiverem certas, tem motivos para isso. Segundo cálculos da Alpargatas, dois em cada três brasileiros compram uma havaianas nova todo ano. Se repetirem a dose com as meias, serão 84 milhões de pares vendidos, só no País. Se não gostarem da novidade, não tem problema. O tradicional chinelo de dedo continuará ganhando o mundo. ?Há muito espaço para a Havaianas avançar?, avalia Martins. ![]()
| Trilhas e rumos Alguns números curiosos sobre as ?legítimas?
|