07/12/2005 - 8:00
Nos oito anos em que comandaram o País, os tucanos produziram um desempenho econômico que, se não foi sofrível, também não foi brilhante. Controlaram a inflação, geraram crescimento de 2,5% e deixaram a dívida pública disparar. Após vários ajustes, entregaram ao PT uma política baseada no tripé formado por câmbio flutuante, metas de inflação e superávits fiscais. Agora, no pré-aquecimento para a campanha de 2006, os tucanos acham que é hora de mudar. ?É preciso acelerar a velocidade do vôo?, disse à DINHEIRO o senador Tasso Jereissati, que acaba de ser eleito presidente nacional do PSDB . E a principal idéia que ele saca da cartola é a de metas de crescimento. Ou seja: o Banco Central teria um olho voltado para o controle de preços e outro para a criação de empregos, ao definir os rumos da taxa de juros.
Além de coordenar a elaboracão de um novo plano para o PSDB, o senador cearense ganhou poderes para conduzir o processo de escolha do candidato do partido à presidência. Hoje, as pesquisas indicam que quatro tucanos ? José Serra, Geraldo Alckmin, Aécio Neves e o próprio Fernando Henrique Cardoso ? teriam condições de enfrentar Lula em 2006. A escolha, diz Tasso, será determinada em função do plano. Ganha a indicação quem estiver mais engajado com a proposta de mudança. Até agora, quem tem a idéia mais nítida do que fazer é Serra, que defende um câmbio mais desvalorizado e juros menores. Tasso também tem carta-branca para debater soluções que conciliem as alas monetarista e desenvolvimentista do PSDB. Ele diz que o candidato de seu partido, qualquer que seja, terá de criticar a gestão do ministro Antônio Palocci para derrotar Lula. Mas não em excesso, pois a política de Palocci é muito parecida com a dos tucanos. Tasso acha que tem a solução. Primeiro planeja anunciar a chegada de novos tempos. ?O mundo mudou, cultura inflacionária foi vencida em quase todos os países?, lembra o senador. ?O desafio do futuro governo é investir em infra-estrutura e atrair investimentos privados para sustentar o crescimento?. Segundo Tasso, Palocci precisou ser mais conservador do que o mais conservador dos tucanos só para provar que não pretendia fazer na economia o que o PT passou 20 anos dizendo que faria. ?Nós podemos ser mais criativos e ousados do que os petistas para baixar juros e atrair investimentos externos?, explica Tasso.
Apesar das metas de crescimento, ele defende a manutenção de superávits fiscais altos, de 4,5% do PIB, para reduzir a dívida interna. ?Mas o superávit poderá mudar dependendo do nível de crescimento?, anuncia. ?Com uma maior expansão do PIB, capaz de gerar mais receitas orçamentárias, ele não precisa ser tão alto?. Tasso avalia ainda que o governo gasta muito mal o que retira da sociedade, na forma de impostos. Ele promete incluir no seu plano a redução do número de ministérios, de autarquias e até mesmo de estatais. E diz que, assim, seria possível começar a discutir a redução da carga tributária. ?O Brasil não agüenta mais tantos impostos?. Para transformar essas idéias num plano viável, Tasso acaba de escalar o professor Samuel Pessoa, da Fundação Getúlio Vargas, como coordenador do programa de governo. E qual a prioridade número um, na opinião do professor? ?Aumentar a eficiência do gasto público?, responde. Em janeiro, Samuel começa a organizar os debates. Resta, contudo, saber quem vestirá o figurino econômico que começa a ser desenhado ? Serra, Alckmin, Aécio ou FHC. Mas há também uma outra questão: por que tudo isso não foi feito entre 1994 e 2002. Segundo Tasso, o contexto era outro e a prioridade era exterminar a inflação. ?Agora é crescer ou crescer?.