09/07/2008 - 7:00

USINA DE INOVAÇÕES: os laboratórios da Braskem são responsáveis por 200 patentes depositadas no Brasil e no Exterior
ÁGUA QUE VEM DA CANA
Uma das maiores usinas do Brasil, a Dedini cria sistema que permite vender o excedente da água utilizada na produção
Abusca por soluções ambientalmente corretas levou a Dedini, uma das maiores usinas de álcool e açúcar do Brasil, a desenvolver um sistema inédito de utilização de água. Apresentado na semana passada, o modelo permite que as usinas não sejam apenas autosuficientes, mas também produtoras de água com excedente suficiente para abastecer terceiros. A tecnologia consiste num novo processo de destilação e desidratação do álcool. Segundo a companhia, a invenção torna as usinas 4% mais caras do que as com modelo convencional, mas a vantagem é inegável: a produção de água doce para ser vendida para outras indústrias ou para o setor agrícola. “Apesar de o custo de uma usina com essa tecnologia ser maior, a geração de receita paga facilmente o investimento”, diz José Luiz Olivério, vice-presidente de tecnologia e desenvolvimento da empresa.
NO INÍCIO DE 2009, A PETROQUÍMICA Braskem começa a construir em Triunfo, na Grande Porto Alegre, a primeira fábrica de plástico verde do mundo. Em vez de utilizar o petróleo como matéria-prima para a produção do polietileno, a empresa vai desenvolver a resina a partir de cana-de-açúcar. Ninguém no planeta faz isso comercialmente. A inovação exigiu dois anos de pesquisa e investimentos da ordem de R$ 500 milhões. Apesar de o projeto ser um dos mais ambiciosos da Braskem, tudo indica que ele não foi dimensionado corretamente. Uma pesquisa encomendada pela companhia concluiu que a demanda atual pelo produto é muito maior do que ela própria imaginava. A planta foi concebida para fabricar 200 mil toneladas do plástico verde por ano. Mas o estudo demonstrou que os pedidos devem superar a marca de 600 mil toneladas – e tendem a subir, graças à escalada do preço do barril de petróleo.

“Estamos pensando em um segundo projeto de investimento na área” JOSÉ CARLOS GRUBISICH, PRESIDENTE DA BRASKEM
Maior petroquímica da América Latina, a Braskem produz anualmente 3,3 milhões de toneladas de resinas. Do ponto de vista comercial, a fábrica de Triunfo contribuirá com menos de 10% das vendas totais da companhia. Para a imagem global da empresa, entretanto, a criação do plástico verde tem um valor inestimável. “Num mundo obcecado por questões ambientes, a resina sustentável da Braskem é um tiro certeiro”, diz Luiz Otávio Broad, analisa da Ágora Corretora especializado no setor petroquímico. Petróleo e seus derivados são vilões de primeira grandeza quando se fala em preservação ambiental. O plástico verde vem de uma fonte renovável (a cana-de-açúcar) e agride menos a natureza.
Os engenheiros, cientistas e químicos da Braskem que desenvolveram o produto garantem que ele tem as mesmas propriedades do polietileno convencional. Para a Braskem, trata-se de uma mina de ouro. As empresas estariam dispostas a pagar até 20% a mais pelo produto para ter o selo verde que identificaria a sua origem. De acordo com Luís Felli, vice-presidente de novos negócios da petroquímica brasileira, aproximadamente 80% da produção da planta de Triunfo será destinada para o mercado internacional. “No Exterior, esse tipo de produto tem uma demanda muito forte”, diz Felli. A procura tem sido tão grande que a empresa já pensa em ampliar a produção da nova resina. “Tudo isso nos permite começar a pensar em um segundo projeto de investimento”, diz José Carlos Grubisich, presidente da Braskem.
Formada em 2002 da fusão de seis companhias, a Braskem é uma das empresas mais inovadoras do Brasil. A constatação surpreende ainda mais considerando que, há apenas uma década, o setor petroquímico era visto como mero produtor de commodities. A Braskem foi a primeira companhia brasileira a depositar uma patente internacional na área de nanotecnologia. No campo das patentes, é uma das recordistas do País. Possui depositadas 200 delas, quase metade no Exterior, e responde por 60% dos pedidos de propriedade intelectual da indústria petroquímica do continente. Cerca de 20% de seu faturamento – algo como R$ 4,8 bilhões, do total de R$ 24 bilhões – é originado de produtos lançados nos últimos três anos. Com o interesse global pelo plástico verde, a empresa descobriu que a inovação é uma aliada fundamental na sua meta de se tornar, nos próximos cinco anos, uma das dez maiores petroquímicas do mundo.