Ferrari, Toyota, Ford, BMW e Mercedes. Um time e tanto, não? Mas nem todas essas gigantes juntas são capazes de dobrar um senhor de 73 anos e 1m60 de altura que virou uma espécie de Cesar da Fórmula 1. Bernie Ecclestone, presidente da FOM (Formula One Management), manda e desmanda na principal categoria do automobilismo. Nos bastidores, comenta-se que o homem concentra 52% de todo o dinheiro gerado pela F1, detendo os direitos comerciais. Só com TV, o campeonato rende US$ 1 bilhão ao ano. Além disso, há a renda de bilheteria. De acordo com o jornal inglês Sunday Times, seu patrimônio é de US$ 4,2 bilhões. Essa concentração de dinheiro e poder vem roubando a paciência dos presidentes de montadoras que participam da categoria. Luca di Montezemolo, chefão da Fiat e capo da Ferrari, teria todos os motivos para estar feliz da vida na F1. Afinal, o carro vermelho vem papando os campeonatos desde 2000. Só que Montezemolo, assim como as demais escuderias, quer é ganhar dinheiro. O circo está prestes a pegar fogo. Jürgen Hubbert, presidente da Grand Prix World Championship (GPWC) ? entidade que reúne as montadoras que atuam na F1 ? acendeu novamente o pavio de um assunto que vem ganhando força: a criação de um campeonato paralelo. Começaria em 2008, data em que expiram os contratos com Ecclestone. ?A F1 é o único evento esportivo em que os protagonistas têm de viver com pouco dinheiro?, reclama Montezemolo. ?Essa história é ridícula. Eles não fazem idéia da força da F1?, rebate Ecclestone. ?É como se eu quisesse criar um concorrente da Ferrari?, provoca. Segundo a GPWC, o chefão Ecclestone, apesar de todo o seu poder, anda sofrendo baixas. A audiência televisiva caiu 40% e as provas já não contam com o mesmo público. Especialistas garantem que o alto preço dos ingressos e o fenômeno Schumacher ? que deixou a F1 tão dinâmica como um torneio de bocha ? são os responsáveis pelo êxodo. Não importa. Para a GPWC, o culpado é Ecclestone.

Mas nem sempre foi assim. Durante anos, o presidente da FOM foi tido como o mago da F1. Quando as marcas de cigarro, principais patrocinadoras, foram impedidas na Europa e nos EUA de propagandear seus logos, Ecclestone driblou o problema levando o circo para países que autorizam a exibição do tabaco. Inventou provas na Turquia, China, Malásia. Mas isso é passado. As montadoras acham que ele ficou tempo demais no pódio. E como a F1 é dele ? e dos sócios Lehman Brothers, JP Morgan e Bayerische Landesbank ? a opção é criar uma nova categoria.

Estima-se que cada montadora desembolsaria US$ 100 milhões pelos próximos quatro anos para viabilizar a F1 paralela. Eles se espelham no automobilismo americano. Há cinco anos, houve um racha entre Cart
(F-Indy) e Tony George, dono do autódromo de Indianápolis. Descontentes, os construtores expulsaram Tony, que criou a IRL. Detalhe: a Cart quase faliu. Como o mundo da velocidade e dos negócios é pequeno, Ecclestone andou especulando a compra da categoria. Para não bater de frente com Tony, adivinhe por que a F1 anda fazendo corridas em Indianápolis nesses últimos anos?