11/02/2009 - 8:00

OBRA FUTURISTA: os dois novos terminais do aeroporto de Trípoli terão capacidade de receber 20 milhões de passageiros por ano. Ele nasce com a ambição de dinamizar o turismo na região
NAS DÉCADAS DE 1970 E 1980, O coronel Muamar Kadafi, ditador da Líbia, era visto como o inimigo público número 1 do Ocidente. A ligação com grupos extremistas e o patrocínio a atentados terroristas colocaram Kadafi, e a própria Líbia, na “lista negra” de boa parte das nações ocidentais. O bloqueio foi suspenso no início desta década e, desde então, a Líbia vem se transformando em um dos principais canteiros de obras do planeta. Com os cofres abarrotados de petrodólares, o presidente líbio decidiu acelerar os projetos de modernização da infraestrutura do país. Uma empreitada que terá o sotaque brasileiro já que a Construtora Norberto Odebrecht integra o consórcio responsável pela ampliação do Aeroporto de Benghazi, a joia da coroa do programa Libya’s Tomorrow’s (a Líbia do Amanhã, em português). A meta é gastar US$ 75 bilhões no período 2008-2012. São estradas, hotéis, torres comerciais, termelétricas, casas populares e usinas de dessalinização de água. A face mais visível dessa arrancada desenvolvimentista está ao longo da avenida que margeia o mar Mediterrâneo. No trajeto entre a Praça Verde, centro nervoso da capital, e o aeroporto, máquinas e operários trabalham em um ritmo frenético. Os desenhos feitos nos enormes tapumes permitem antever o que surgirá em cada terreno: prédios que chamam a atenção pela suntuosidade e o estilo arquitetônico futurista, com forte inspiração ocidental.

Os dois novos terminais vão ocupar uma área de 400 mil metros quadrados ao redor do aeroporto atual e terão capacidade para 20 milhões de passageiros por ano – o dobro do Aeroporto Internacional André Franco Montoro, em Guarulhos (SP). Sua cobertura sinuosa simula as dunas do Deserto do Saara e os fingers poderão receber 64 aeronaves simultaneamente. O objetivo é fazer do empreendimento a principal porta de entrada e saída da África, conectando o continente à Europa e à Ásia. Mais que um cartão-postal, o novo Aeroporto de Benghazi representa uma importante escala no voo internacional da Construtora Norberto Odebrecht. A empresa foi a primeira do segmento de construção pesada a desembarcar na Líbia. Chegou em 2007, após cinco anos de tentativas de aproximação. Pelo visto, valeu a pena. É que, além do aeroporto, a companhia integra o consórcio responsável pelo Terceiro Anel Viário de Trípoli, com 24 quilômetros de extensão. No total esses contratos vão injetar US$ 845 milhões nos cofres da Odebrecht. Trata-se de um cifra importante para uma corporação que obtém 75% de seu faturamento anual, de US$ 7 bilhões, fora das fronteiras brasileiras. “Estamos de olho em outras oportunidades na Líbia e nos demais países da região”, disse à DINHEIRO Antônio Roberto Gavioli, diretor da subsidiária local da Odebrecht. Segundo ele, a próxima parada da construtora é a Argélia. “Faltam apenas definir alguns detalhes para a assinatura de três contratos, envolvendo a construção de túneis e rodovias”, contou o executivo sem, no entanto, fornecer maiores detalhes.
A escolha do norte da África como nova fronteira de crescimento para a Odebrecht deve-se ao surto expansionista de investimentos em infraestrutura verificado na Tunísia, no Chade, no Marrocos e na Argélia. Boa parte das obras tem como foco o turismo, setor apontado como prioritário na estratégia de diversificação de economias que hoje são altamente dependentes da exportação de commodities como petróleo, gás e fosfato. E a meta da direção da Odebrecht é participar intensamente desse processo de mudança. Tanto que investiu na compra, inclusive do Brasil, de um lote de 230 máquinas e caminhões para dar suporte a suas operações de campo.