Monitoramento remoto via internet, câmeras inteligentes que ?enxergam? no escuro, aparelho de identificação que reconhece o sistema de circulação do sangue do usuário, alarmes que funcionam como agenda e despertador. Os modernos equipamentos de proteção privada fariam bonito em qualquer roteiro de James Bond. A tecnologia usada para segurança de casas e edifícios evolui em ritmo acelerado e, com isso, contribui para a redução dos preços e a popularização dos produtos. No Brasil, a Associação Brasileira de Empresas de Segurança (Abese) estima que o setor movimenta US$ 500 milhões ao ano, mas especialistas acreditam que o número real pode ser três vezes superior. O mercado residencial ainda é bem menor que o empresarial, mas sua demanda está aumentando. ?Hoje, uma em cada 100 casas do Brasil é monitorada por alarme?, diz José Carlos Hollaender, gerente comercial da Plastrom Sensormatic, empresa especializada no segmento.

O barateamento da tecnologia, no entanto, pode levar os clientes a adquirir produtos e serviços que não atendem às suas necessidades. Proteger a casa ou o condomínio de forma adequada exige a avaliação de fatores que variam desde a altura dos muros até os hábitos dos moradores. ?Existe um nível mínimo de proteção para qualquer imóvel, o resto é subjetivo?, diz David Brunstein, sócio da Intersafe e da Pronta-resposta, ambas especialistas no setor. Segundo Brunstein, para proteger uma casa de 400 metros quadrados, o mínimo necessário é um pacote de alarme e seis câmeras que pode custar entre R$ 15 mil e R$ 30 mil. A partir daí, não há limites.

Um dos equipamentos mais avançados no mercado é o sistema de câmeras inteligentes que dispensa operadores e pode ser acessado pela internet. ?Com essas câmeras, o usuário pode visualizar a residência de qualquer monitor que tenha acesso à web, desde um laptop até um celular?, explica Hollaender. Cada uma custa R$ 15 mil. Um equipamento deste gênero está sendo implementado num dos condomínios do luxuoso bairro de Alphaville, em São Paulo. São 700 casas monitoradas por viaturas e motocicletas e, agora, pelo circuito interno de TV. O projeto, que começou há dois anos e custou R$ 60 mil, já dá resultados. ?Com a adoção das câmeras, além da proteção contra invasores, também evitamos infrações como excesso de velocidade nas ruas e tráfico de drogas ?, diz o diretor de segurança do condomínio, o coronel José Carlos Rufino.

Quem pretende investir na casa também precisa estar atento à ?idade? do equipamento. Os produtos ficam ultrapassados rapidamente. Um aparelho que foi bastante divulgado há alguns anos, o leitor de íris ? que dá acesso ao imóvel após reconhecer a radiografia do olho humano ? já é considerado defasado pela indústria. O sistema de acesso mais moderno é feito pelos dedos. Ele reconhece não apenas
as digitais, mas até o desenho da irrigação sangüínea e pulsação do usuário. Preço: R$ 1,5 mil. Somente a tecnologia, porém, não será capaz de proteger os moradores se não houver procedimentos básicos a serem seguidos. Por R$ 600, a Intersafe oferece cursos de treinamento para clientes e prestadores de serviço da residência. ?O melhor sistema do mundo não funcionará se o usuário não souber operá-lo?, ensina Brunstein. Nas aulas, aprende-se como utilizar os aparelhos e quais as atitudes recomendadas em situações de pânico.

AS NOVIDADES EM PROTEÇÃO:

Painel gráfico: exibe uma planta da casa e acende uma luz vermelha para indicar o cômodo invadido. Também funciona como despertador e agenda eletrônica. R$ 1,6 mil

Controle de acesso: identifica visitantes por meio de senhas, crachás ou biometria. O Fingerscan reconhece até o sistema de irrigação sangüínea do dedo do usuário. R$ 1,5 mil

Câmera Dome UltraVII: operada remotamente, ?enxerga? no escuro em infravermelho. As imagens podem ser acessadas de qualquer monitor via
internet. R$ 15 mil