24/03/2014 - 14:17
A Profarma fechou um acordo para vender até 19,9% de seu capital à Amerisource Bergen, uma das maiores distribuidoras de medicamentos dos Estados Unidos. O tamanho da fatia foi determinada para evitar que a companhia americana fosse obrigada a fazer uma oferta pelo controle da brasileira, já que o estatuto da Profarma prevê a chamada “poison pill”, cláusula para desencorajar aquisições hostis.
Segundo o diretor financeiro e de relações com investidores da Profarma, Max Fisher, na operação, a Amerisource Bergen deve aportar de R$ 190 milhões a R$ 200 milhões na companhia. O negócio, segundo o executivo, é encarado pela Profarma como um “mini-follow-on”, o jargão do mercado para uma emissão de ações. Isso porque a emissão pode chegar a R$ 335,6 milhões. Para que o negócio seja feito, a BMK, holding que controla a Profarma, abrirá mão de seu direito de preferência na compra das novas ações em favor da Amerisource.
A americana, então, ficará livre para adquirir os papéis por R$ 25 cada, até o limite imposto pela “poison pill”. Em seguida, haverá um leilão de sobras de ações, e a BMK e outros investidores poderão adquirir as ações remanescentes. A operação será realizada pela BPL Brazil Holding, subsidiária da Amerisource no Brasil.
Segundo Fisher, a conclusão do negócio ainda passará por algumas etapas, como a convocação de uma assembleia extraordinária de acionistas para aprovar a emissão de ações. Assim, o prazo para que o negócio seja concluído é de cerca de 70 dias.
Mercado sofisticado
Em paralelo, as empresas acertaram também outro negócio: a criação de uma joint-venture, a Profarma Specialty, na qual a Amerisource terá 50% de participação. A nova empresa atuará no mercado de especialidades médicas para hospitais. A Profarma participará da parceria com a transferência de ativos da Prodiet e Arpmed, e de sua divisão de vacinas e hospitais. Já a Amerisource contribuirá com a injeção de R$ 40 milhões diretamente no negócio, mais o aporte indireto de R$ 21,3 milhões, por meio da compra de novas ações.
Para Fisher, a parceria reforça a estratégia da Profarma de atuar nesse mercado. “A Amerisource é líder desse segmento nos Estados Unidos”, diz. “Ela trará seu conhecimento, novos produtos e seu relacionamento com a indústria”. A estreia da Profarma nesse mercado ocorreu com a compra da Prodiet e da Arpmed. O principal atrativo do setor, segundo o executivo, é que a margem de venda dos produtos pode ser até 50% maior que os distribuídos para farmácias. Estima-se que a líder do mercado de distribuição hospitalar, a Oncoprod, esteja faturando cerca de R$ 1,5 bilhão por ano. Segundo Fisher, não há número claros desse mercado. Por isso, a Profarma estima que, atualmente, seja uma das cinco maiores.
A Amerisource fatura mais de US$ 100 bilhões por ano e emprega mais de 13.000 pessoas. No ranking das 500 maiores empresas da Fortune, ela ocupa a 32ª posição.
