Depois de encerrar 2013 com um prejuízo recorde de R$ 2 bilhões, a MMX, mineradora controlada por Eike Batista, começa o ano com um pouco mais de ar. A venda de 65% do Porto Sudeste para a Trafigura e Mubadala já mostrou efeitos positivos no balanço de primeiro trimestre, divulgado pela quarta-feira 25. Os três principais são a queda do prejuízo, o aumento do caixa e uma dívida bem menor.

Entre janeiro e março, o prejuízo líquido da MMX foi de R$ 69,6 milhões. Ter prejuízo nunca agrada o mercado, mas o número é 80% menor que as perdas de R$ 354,6 milhões registradas no quarto trimestre do ano passado.

A mineradora também chegou a março com mais caixa e equivalentes: R$ 86,7 milhões. Desse total, R$ 67,6 milhões estavam no caixa da empresa, e R$ 19,1 milhões, em aplicações financeiras de curto prazo. Não é nenhuma maravilha, quando se lembra que a MMX costumava manter um caixa de três dígitos, em seus tempos áureos. Em março de 2012, por exemplo, quando Eike Batista era apontado como um dos dez homens mais ricos do mundo pela revista americana Forbes, o caixa da empresa era de R$ 586 milhões. Mas, para a nova realidade da MMX, a cifra é um alento, já que representa a reversão da queima de caixa. Em dezembro do ano passado, havia apenas R$ 39 milhões disponíveis para a empresa.

A venda do controle do Porto Sudeste incluiu, como se sabe, a transferência das dívidas da MMX para os novos donos do projeto. Com isso, a mineradora terminou o trimestre com uma dívida líquida bem menor: R$ 160 milhões. Três meses antes, a empresa devia 17 vezes mais: R$ 2,791 bilhões.

Balão de oxigênio

Os três números acima mostram que a empresa está recobrando o fôlego, mas não significa que ela já pode respirar aliviada. É verdade que a empresa tem menos dívidas, mas elas estão mais concentradas no curto prazo – isto é, vencem nos próximos 12 meses. Em março do ano passado, 39% da dívida da MMX estavam nessa situação. Agora, são 59%.

A geração de caixa, medida pelo ebitda (lucro antes de juros, impostos, amortização e depreciação), ainda sente os resquícios dos problemas do ano passado. A empresa descontou, dessa conta, R$ 431 milhões referentes à provisão de estimativas de alta de custos do projeto de expansão de Serra Azul, sua principal aposta.

A expansão da área foi suspensa no ano passado, devido aos problemas financeiros da companhia. Agora, a MMX busca renegociar contratos e metas com fornecedores. Um deles, a empresa de logística MRS, tem um contrato de transporte de minério de ferro de suas jazidas até o Porto do Sudeste. Há uma cláusula de “take or pay” no acordo, que determina que, se a MMX não ocupar toda a capacidade de transporte contratada, deve pagar uma multa à MRS. No ebitda, foram descontados também R$ 29 milhões referentes a essa punição. Com isso, o ebitda ajustado da MMX ficou negativo em R$ 501,3 milhões. Em dezembro, o rombo era de R$ 131,4 milhões.

Peso chinês

Outro desafio é o cenário internacional para o minério. Com a desaceleração da economia chinesa e a interrupção da produção em algumas siderúrgicas do país, devido a problemas de poluição, o preço da commodity no mercado global caiu. No segundo semestre do ano passado, o preço médio era de US$ 130 por tonelada entregue na China. Em fevereiro, já havia baixado para US$ 117.

Segundo o relatório da MMX que acompanha o balanço do primeiro trimestre, o valor caiu ainda mais no início de março, devido “à falta de melhores perspectivas no mercado”, que fez com que “tanto as usinas siderúrgicas quanto as trading companies evitassem tomar posições”. Com isso, a cotação caiu até US$ 105.

Ao mesmo tempo, a MMX suspendeu a produção no sistema Corumbá, e passou a contar apenas com o sistema Sudeste. Tudo isso somado, a venda física de minério caiu 15%, para 1,2 milhão de toneladas. A queda da receita líquida, com a desvalorização mundial da commodity, porém, foi mais que o dobro: 39%, para R$ 110,4 milhões. Os números mostram que o cenário está menos nebuloso para a MMX, mas o sol que acompanha seu logotipo – uma das marcas do Grupo EBX, de Eike – ainda está longe de brilhar como nos velhos tempos.