Um acordo costurado nos bastidores da telefonia brasileira poderá mudar completamente o desenho do setor no País. Dele participam algumas das cabeças coroadas desse mercado, como Carlos Jereissati, da Telemar, Daniel Dantas, do Opportunity e da Brasil Telecom, assim como Giorgio Della Seta, da Telecom Italia Mobile, e o investidor Naji Nahas, que também atua em nome do grupo italiano. Caso as conversas em andamento sejam bem-sucedidas, duas novas empresas surgirão para competir com a Vivo nos celulares e a Telefônica na telefonia fixa. Uma delas seria resultado da união da TIM, subsidiária da Telecom Italia, com a Oi, hoje controlada pela Telemar. A outra reuniria a Brasil Telecom e a Telemar. Ainda falta um longo caminho a ser percorrido até que essas associações saiam do papel. Mas as conversas estão a pleno vapor. DINHEIRO ouviu executivos de todas as operadoras envolvidas, que não negaram as conversas e confirmaram a lógica da operação.

Em meio às negociações, a peça chave para que o quebra-cabeça se complete é a Telecom Italia, presidida no Brasil por Giorgio Della Seta. Hoje, a empresa é a segunda maior operadora de celulares do País, com cerca 6 milhões de assinantes. A companhia também atua na telefonia fixa, na Brasil Telecom, mas não tem o controle da operadora, gerida pelo Opportunity. Em função desse cenário, o negócio começou a ser costurado. A Telecom Italia compraria a Oi e, assim, fortaleceria sua posição na telefonia celular. Passaria a ter 8 milhões de assinantes e ganharia musculatura para competir com a Vivo. As duas empresas disputariam a aquisição da BCP, empresa da família Safra, que atua em São Paulo, e a Telecom Américas, do bilionário mexicano Carlos Slim. Com ambas, a TIM ficaria com tamanho semelhante à da Vivo. Há rumores de que, há poucas semanas, Carlos Jereissati, da Telemar, tenha se encontrado na Europa com Marco Tronchetti Provera, presidente mundial da Telecom Italia, levando a proposta de venda da Oi. Naji Nahas, amigo pessoal de Tronchetti Provera, teria participado da reunião. Além disso, Cássio Casseb, presidente do Banco do Brasil, também teria estado em Lisboa, com Carmelo Furci, outro executivo do grupo italiano, para tratar do mesmo assunto. O Banco do Brasil, por meio de suas seguradoras e da Previ, seu fundo de pensão, é um dos grandes acionistas da Telemar.

Na telefonia fixa, a transformação teria impacto semelhante devido ao porte do gigante em gestação. Em troca da Oi, a Telemar receberia as ações dos italianos na Brasil Telecom. Isso abriria espaço para a formação de uma grande operadora nacional no mercado local, até porque o Opportunity também tem uma participação societária na Telemar. É uma idéia que agrada ao Ministério das Comunicações, cujos técnicos defendem a formação de uma grande operadora nacional, mas que dependeria de um delicado acordo entre os sócios sobre o modelo de gestão. Os grupos privados abrigados nessa grande empresa ? La Fonte, Opportunity, GP e Andrade Gutierrez ? nem sempre têm uma convivência harmônica. No entanto, havendo um entendimento, o caminho ficaria aberto para uma verdadeira competição no setor. Juntas, Telemar e Brasil Telecom teriam músculos suficientes para competir com a Telefônica no mercado de telefonia fixa. Um passo seguinte, comentado pelo mercado, é a aquisição da Embratel pela nova companhia.

Sinal verde. Embora todas as partes envolvidas argumentem em favor de uma consolidação no setor, um negócio desse tamanho só sairia do papel se as autoridades regulatórias dessem sinal verde. Tanto a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) quanto o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), que regula as operações antitruste, teriam de dar o sinal verde. Mas se o quebra-cabeça se completar, o Brasil teria dois novos gigantes: uma espécie de Ambev do celular e uma Ambev da telefonia fixa.