Desde a década de 40, quando foi criado o 1º Grupo de Caça, o famoso ?Senta a Pua?, não se via tanta atenção do governo federal à Força Aérea Brasileira. Na quinta-feira, 13, o presidente Fernando Henrique Cardoso anunciou o maior plano de reaparelhamento da história da aeronáutica militar. Serão US$ 3,5 bilhões em investimento nos próximos oito anos. Desse total, US$ 600 milhões vão pagar a substituição dos 22 jatos supersônicos franceses Mirage, comprados à francesa Dassault Aviation em 1970. Essa verba despertou o interesse de dois gigantes da indústria de aviação militar internacional. São eles a americana Lockheed Martin e a própria Dassault, a mesma que vendeu os Mirage para o Brasil há 30 anos. Cada uma delas tenta seduzir a FAB com ofertas de aviões modernos. Os americanos com o F-16 e os franceses com o Mirage 2000. Também no páreo, mas com menos chances de vencer, está a sueca Saab com o Jas-39. Na disputa pelo contrato bilionário o fator ?verde-e-amarelo? deve influenciar a tomada de decisão das autoridades brasileiras. Segundo analistas do setor, a balança pode pender em favor da Dassault porque ela é acionista minoritária da Embraer com 20% de participação. A associação entre elas permite à companhia brasileira acesso à tecnologia de manutenção dos jatos franceses. Em outras palavras, comprar os Mirage significa garantir contratos de serviços de manutenção à maior empresa aeronáutica do País.

No chão. A situação dos aviões militares brasileiros é crítica. Das 755 aeronaves da FAB mais da metade ? 440 ? está em terra sem condições de uso. Apesar disso, as oficinas privadas de reparo, concentradas na região de Sorocaba (SP), só poderão disputar os contratos para atendimento da menor parte da frota, 112 aeronaves. A espinha dorsal da aviação militar, formada por caças, aviões de patrulha e transportes de tropa, será consertada pela própria Aeronáutica. A razão é a chamada segurança nacional. Isso porque, no caso remoto de uma guerra, os aviões seriam usados na defesa do País. Sobram então os de pequeno porte, como o Brasília, que transportam autoridades do governo federal e militares de alta patente. Assim mesmo, os contratos para reparo dessa frota VIP são bastante atraentes. Para colocá-los de novo no ar, a FAB deverá gastar aproximadamente US$ 44,8 milhões.