Agora é para valer. Começa a temporada de investimentos na produção local de medicamentos genéricos. Mais de US$ 270 milhões estão sendo aplicados no Brasil por empresas nacionais e estrangeiras na construção e ampliação de fábricas. Esse movimento acontece cerca de um ano depois de aprovados os primeiros registros de genéricos e do desembarque das remessas iniciais de importados. As perspectivas para o setor são saudáveis. Em cinco anos, estima-se que o segmento irá representar 5% das vendas de toda a indústria farmacêutica nacional ? que no ano passado faturou mais de US$ 7,2 bilhões. Atraídos por esse potencial, estão fincando bandeira em solo brasileiro empresas de diversos países. Da Alemanha, por exemplo, vem a Hexal, que tem faturamento anual de US$ 484 milhões. Começa devagar neste ano, com importação, mas já tem em caixa US$ 40 milhões para erguer uma unidade de produção que atenderá a América Latina. ?Se o negócio andar bem, poderemos até exportar para a Europa?, conta Reinhard Nordmann, presidente da empresa no Brasil.

Nordmann não é o único estrangeiro a fazer planos para o País. A israelense Teva se associou à brasileira Biosintética para criar a Bioteva e programa para 2002 uma fábrica de US$ 30 milhões a US$ 50 milhões. A indiana Ranbaxy Laboratories adotou estratégia idêntica para aportar nas farmácias brasileiras, unindo-se ao laboratório nacional Davidson e à Schering-Plough. Inicialmente, a empresa vai importar os genéricos, mas, a partir do segundo semestre, passa a produzi-los em Jacarepaguá (RJ).
As companhias internacionais encontrarão pela frente cerca de 15 laboratórios nacionais, que já produzem e comercializam genéricos por aqui. É o caso da EMS, que investiu US$ 50 milhões numa fábrica em Hortolândia (SP) e está erguendo outra em Aracaju (SE), um empreendimento de US$ 30 milhões. O Teuto também se antecipou e abre em março, em Anápolis (GO), a maior unidade de produção de genéricos da América Latina. Resultado de investimentos de US$ 100 milhões, a unidade se espalha por uma área de 120 mil metros quadrados.

Toda a agitação no mercado nacional não é à toa. Os brasileiros se revezam entre a sétima e a oitava colocação no mundo como os maiores consumidores de medicamentos. A vinda dos genéricos soa, portanto, como bênção. Tanto que, desde fevereiro do ano passado, 186 registros desse tipo de produto foram concedidos. Desse total, 100 já estão sendo comercializados. ?O crescimento é surpreendente?, afirma Luiz Milton Veloso Costa, diretor da Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Responsáveis por 25% das compras de medicamentos do País, as unidades do Sistema Único de Saúde (SUS) deverão substituir suas encomedas de remédios tradicionais pelos genéricos.

Outro fator contribui para as boas expectativas dos laboratórios. Nos Estados Unidos, por exemplo, a lei dos genéricos, de 1984, foi combatida firmemente pelas indústrias farmacêuticas. Mas o interesse do consumidor prevaleceu e os genéricos hoje respondem por mais de 70% do receituário médico norte-americano. Grandes companhias tiveram que se reorganizar. No Brasil, a situação deverá se repetir. A guerra de preços, um dos primeiros reflexos do ingresso dos genéricos, começa a ser travada. Na média, a diferença de valores é de 40%. Uma prova? A caixa com 28 pílulas do festejado antidepressivo Prozac, do Eli Lilly, sai por R$ 90,22. Seu equivalente genérico, Fluoxetina, fabricado pela EMS, custa R$ 47,57. Qual você escolheria?