O remédio mais vendido do mundo, o Liptor, da Pfizer, ganhou um rival à altura. Nesta semana, chega às farmácias brasileiras o medicamento que promete revolucionar o tratamento do colesterol: o Crestor, da empresa sueco-inglesa AstraZeneca. Não se trata de um lançamento qualquer. Está em jogo um mercado de US$ 22 bilhões, o maior da indústria farmacêutica. E vale tudo para abocanhar uma parte desse bolo e destronar o Liptor, que fatura sozinho US$ 8 bilhões anuais. A AstraZeneca está apostando todas as suas fichas no Crestor. Ela gastou US$ 800 milhões para desenvolvê-lo e mais US$ 1 bilhão só para lançar o remédio. Apesar de ter provocado polêmica no começo ? foi relacionado à morte de uma americana de 39 anos – , a pílula tem sido bem aceita pelos médicos no mundo inteiro. Foram mais de 2 milhões de receitas prescritas até agora. Nos Estados Unidos, país que tem 50% desse mercado, o produto conquistou participação de 7,5% em nove meses.

No Brasil, o segmento movimenta US$ 80 milhões, mas cresce 25% ao ano desde 2002. E ainda há o que evoluir – cerca de 25 milhões de brasileiros têm colesterol alto e apenas 1,7 milhão fazem tratamento. O objetivo da AstraZeneca é ambicioso: vender um Crestor a cada quatro remédios da categoria consumidos. ?É uma chance de estar entre os cinco maiores laboratórios do País?, diz José Antônio Toledo, presidente da AstraZeneca no Brasil. A multinacional de US$ 18,8 bilhões ocupa essa posição no mundo inteiro. Mas por aqui ela ainda é a sétima colocada, com vendas anuais de quase R$ 500 milhões. Para turbinar o lançamento, a companhia se juntou a uma empresa nacio-
nal especializada em cardiologia. O produto chegará às farmácias sob duas marcas. Uma é Crestor. A segunda, VivaCor, será distribuída pela brasileira Biosintética. ?Vamos fazer uma estréia agressiva. Com essa parceria, a AstraZeneca consegue dobrar o número de representantes de vendas?, promete Toledo. A guerra só está começando.