09/09/2009 - 7:00
HÁ POUCO MAIS DE UM ANO, o grupo Odebrecht, um dos maiores do Brasil, com faturamento de US$ 18 bilhões e 100 mil empregados, fechou um negócio emblemático. Ao vencer a disputa da primeira usina no rio Madeira, abriu uma nova fronteira energética no País, assumindo uma concessão que deverá gerar r$ 30 bilhões em receitas. Na semana passada, a Odebrecht deu um novo salto empresarial, ao firmar, em nome do Consórcio Baía de sepetiba, um contrato de 1,8 bilhão de euros com a Marinha para a construção de um estaleiro e uma base naval na cidade de Itaguaí, no rio de Janeiro. Ambos os negócios tiveram a atuação decisiva de dois personagens: o presidente Marcelo Odebrecht e o executivo Irineu Meireles, que foi chamado para o projeto dos submarinos pouco tempo depois de colocar de pé o projeto do Madeira. Dentro de alguns meses, eles estarão recrutando os mais de cinco mil funcionários que trabalharão em Itaguaí. ? A base e o estaleiro pertencerão à Marinha. O consórcio fará a construção e a operação?, disse à DINHEIRO o contra-almirante Wellington Liberatti, responsável pelo projeto dos submarinos. Ele diz ainda que um submarino conta com 35 mil itens e que cerca de 40% do conteúdo será adquirido no Brasil, movimentando a indústria nacional.

Emílio Odebrecht
Hoje no conselho, ele foi um dos principais entusiastas da parceria com a Francesa DCNS, que culminou no maior contrato das Forças Armadas em muitos anos
O consórcio Baía de sepetiba é uma sociedade entre Odebrecht a e o grupo DCNS ? uma estatal francesa que atua na área naval. Cada um dos parceiros tem 50% do capital, mas a Marinha ficou com uma ação especial, a golden share, que lhe dá poderes para vetar decisões e acompanhar de perto cada passo.

Em todos os departamentos, haverá oficiais da Marinha. Nenhuma proposta poderá ser transmitida eletronicamente. Para destruir documentos, será necessária autorização da Marinha. E até as contratações de pessoal passarão pelo crivo dos almirantes, dado o caráter sigiloso do projeto nuclear. Do lado francês, quem chega nesta semana para formalizar o contrato é o executivo Patrick Boissier, presidente do grupo DCNS. Segundo ele, a Odebrecht foi escolhida em razão da experiência internacional e devido ao fato de ter construído a base naval em Mocanguê, no Rio.
Para o grupo baiano, hoje liderado por Emílio Odebrecht, presidente do conselho, a entrada no setor naval consolida a diversificação. Além de ser a maior construtora do país, com contratos de US$ 7 bilhões, a Odebrecht controla ainda a Braskem, líder da área petroquímica, a ETH, que acaba de inaugurar suas primeiras usinas de etanol, e uma incorporadora focada na área imobiliária. Irineu Meireles, por sua vez, pode ganhar uma nova missão: a de viabilizar o trem-bala.