10/08/2005 - 7:00
Há um homem do mercado financeiro no centro da crise política que assola Brasília. Todas as manhãs ele se dirige ao Senado e entra sozinho no cofre forte da CPI dos Correios. Em meio a uma montanha de 100 mil documentos, chega a analisar em uma única manhã de três a quatro pilhas, uma batelada de 800 folhas. Busca, nessas incursões, a origem do dinheiro que irrigou o esquema montado por Marcos Valério e Delúbio Soares. É uma espécie de Sherlock. Sua obsessão confessa são os fundos de pensão, que investem em mais de 400 empresas com ações em Bolsa. Frio, discreto e minucioso, como convém a um executivo de banco, o deputado Rodrigo Maia ? esse é o seu nome ? virou o auditor da crise. ?Há gente no mercado preocupado com nossas investigações, falando em desestabilização da economia?, diz ele. ?Mas isso não nos preocupa. Se o mercado foi conivente, precisa responder também.?
Líder do PFL e filho de César Maia, prefeito do Rio de Janeiro, Rodrigo tem 35 anos e uma qualificação ímpar entre os seus pares. Numa CPI repleta de jurisconsultos, ele é um rato da contabilidade. Diverte-se lendo balanços e arruma paciência para estudar coleções imensas de notas fiscais. Está à vontade nesse mar de números porque é do ramo. Por quatro anos foi operador de mesa de renda fixa e de overnight no BMG, um dos bancos atolados nos esquemas de Delúbio e Valério. Por mais quatro anos atuou na captação de investimentos no Icatu, banco especializado em negócios agressivos. ?Eu sei como os bancos funcionam?, garante, com mais que uma pontinha de soberba. A CPI tem atrapalhado os planos de casamento do deputado, marcado para 2 de setembro com a empresária carioca Patrícia Vasconcelos. A lua-de-mel será rápida, de uma semana, porque Rodrigo reassume as auditorias depois do feriado de 7 de setembro. Também está difícil emagrecer. Não tem mais tempo para as caminhadas e o regime está comprometido por almoços e jantares com amigos do mercado. O estresse da CPI também lhe rendeu pequenos machucados na mão. Ele e os deputados ACM Neto e Onyx Lorenzoni, ambos do PFL, formam um trio. ?Queremos fazer o governo sangrar?, diz ACM Neto. Diariamente, os três sentam e discutem a estratégia do dia. A iniciativa de investigar os fundos de pensão partiu de Rodrigo, Lorenzoni fez o requerimento. Sua idéia é averiguar a compra de títulos públicos pós-fixados em 20 anos. ?Há indícios de que os fundos tenham comprado a taxas abaixo do valor do mercado?, diz Rodrigo Maia. O mercado negociava em taxas de IGP-M mais 9%, mas há operações em que os fundos compravam em IGP-M mais 6%. Rodrigo lembra que qualquer diferença de um ponto percentual de remuneração pode render um lucro de até R$ 1 milhão. ?Alguém ficou com a diferença?, explica. ?Vamos partir das contas de Marcos Valério e seguir o caminho de suas movimentações?. ![]()
Resultado da CPI: Maia engordou, feriu as mãos e terá de |