Montagem Sobre Foto de Fabrizia Granatieri/ag. ist

Poucos e bons: o economista Jorge Oakim aposta em um catálogo pequeno para garantir lucro

Quando Isabella Swan, uma garota de 17 anos, se muda para a pacata cidadezinha Forks, ela não imagina que encontrará um grande amor. Em sua nova escola, ela conhece o belo, pálido e hostil Edward Cullen. Os dois se apaixonam perdidamente e ele prefere não revelar a ela que é um vampiro. Com esse enredo simples, a série Crepúsculo, escrita pela norte-americana Stephenie Meyer, vem conquistando jovens de todo planeta. Os quatro livros (Crepúsculo, Lua Nova, Eclipse e Amanhece) foram publicados, a partir de 2008, em 43 países e já conta com mais de 70 milhões de exemplares vendidos. Apesar de arrebatar adolescentes logo na primeira página, o livro passou na mão de várias editoras brasileiras antes de ser publicado por aqui. Foi rejeitado por todas, até que caiu no colo de Jorge Oakim, dono da editora carioca Intrínseca. O empresário torceu o nariz para o exemplar, mas confessa que quando começou a ler não parou mais. ?A série não é uma simples história para jovens, porque traz reflexões profundas e espertas também para adultos?, comenta Oakim.
Por acreditar no potencial do livro, o empresário entrou com uma concorrente nacional na briga pelos direitos de publicação da obra em um leilão online. Ganhou a disputa e comprou os três primeiros volumes pela bagatela de US$ 60 mil. O retorno rápido pode ser comprovado nos caixas das livrarias. Apenas no mercado brasileiro, mais de 2 milhões de exemplares foram vendidos.

Com ajuda de executivos do setor editorial, DINHEIRO apurou que a Intrínseca faturou R$ 35 milhões apenas com os livros da série. ?Nem tenho ideia de quanto pagaria pelas obras hoje. Para nós, apostar nesses livros foi um tiro certeiro?, afirma o empresário. Tanto sucesso elevou a Intrínseca ao patamar das cinco maiores editoras do País, em números de exemplares vendidos, atrás da Record, Ediouro, Objetiva e Companhia das Letras. Oakim atribui os resultados à maneira como lida com seu negócio desde quando resolveu entrar no mercado, em 2004. Uma história de coincidências e estratégias que poderiam até render um romance, como os publicados por ele hoje.

Formado em economia, o empresário largou a carreira na área financeira para abrir uma editora. Como não conhecia absolutamente nada do setor, viajou para a anual Feira de Livros de Frankfurt, na Alemanha. Lá colheu as informações que precisava sobre direitos autorais e, de quebra, comprou por US$ 1 mil os direitos de um livro francês, recém-lançado na Europa. Sem saber do potencial de vendas do que trazia em sua bagagem, Oakim lançou por aqui Hell ? Paris 75016. Best-seller na França, o livro ficou por meses na lista dos mais vendidos nas livrarias brasileiras.

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Outra aposta certeira da editora foi A Menina que Roubava Livros, lançado em abril de 2007. Oakim desembolsou US$ 17,5 mil pelo livro, cuja tiragem já bateu em 790 mil exemplares. O sucesso de vendas chamou a atenção da Sextante, dona dos direitos de publicação do livro Código da Vinci no Brasil, que comprou 50% das ações da editora. Logo depois, Oakim transferiu para a nova sócia as operações comerciais e de logística. ?Hoje temos 13 funcionários que se dedicam a ler e avaliar os 100 livros que recebemos por semana?, afirma Oakim. Parte do sucesso pode ser creditado as suas capacidades de economista e seu tino para os negócios. Sua palavra de ordem é apostar em poucos e bons livros. Assim, custos de marketing são menores. Também fica mais fácil administrar um catálogo pequeno. Em vez da média de lançamentos das concorrentes, de 60 livros por mês, a Intrínseca coloca no mercado cerca de 30 obras por ano. Entre elas, por enquanto, não há nenhum autor brasileiro. ?Acredito que o risco de livros que já tenham sido vendidos lá fora seja menor?, diz Oakim.