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EFICIÊNCIA ENERGÉTICA: a incidência de luz natural será 5% maior do que em sistemas convencionais

Um edifício pode mudar a vida de uma empresa? Pode ? pelo menos nos planos de Fernando Luft, um dos donos do grupo Luft, um dos maiores operadores logísticos do País, cujo faturamento soma R$ 750 milhões. Em duas semanas, a empresa cortará as fitas de seu novo centro de distribuição de sua divisão para produtos farmacêuticos e de saúde, a Bomi. Tratase de um colosso de 74 mil metros quadrados no município de Itapevi, na Grande São Paulo. Com ele, a Bomi vai reduzir seus custos em 10%, expandir as receitas em 40% e reforçar sua liderança no mercado, do qual detém 25% de participação. ?Não se trata apenas de uma estrutura de aço e concreto?, afirma Luft. ?É um dos mais modernos centros de armazenamento de produtos de saúde do mundo, com índices de sustentabilidade inéditos na América Latina.? E daí? ?Isso nos dará uma vantagem competitiva enorme no mercado. As grandes empresas do setor procuram por esse tipo de serviço?, continua Luft. Hoje, os laboratórios e fabricantes de equipamentos médicos possuem fábricas impecáveis, tanto na assepsia como nas condições de acondicionamento dos produtos. A frota da Luft, de 550 veículos, é inteiramente refrigerada. Grandes clientes, como hospitais, também possuem uma estrutura adequada. ?Faltava uma das etapas do processo, a armazenagem?, afirma Luft. ?Com o nosso depósito, o ciclo se fecha.?

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NÃO PINTOU SUJEIRA: os cantos arredondados impedem o acúmulo de poeira no depósito

O plano era antigo, mas faltava quem colocasse o edifício de pé dentro dos padrões internacionais. Luft encontrou na Matec o parceiro. O maior pedaço do investimento, de R$ 130 milhões, saiu dos cofres da construtora. Coube a ela comprar o terreno e erguer o empreendimento sob medida para as necessidades da Luft, num sistema chamado de built to suit. Em troca, ganhou um contrato de locação de dez anos. ?Adquirimos a área em junho de 2006 e sete meses depois estamos entregando a obra pronta?, diz Luiz Augusto Milano, dono da Matec. Desde o início da construção, padrões rígidos de respeito à sustentabilidade foram seguidos. Os operários nem sequer podiam fumar no canteiro de obras para garantir a ausência de resíduos de nicotina e outros elementos químicos no solo. Todos os cantos do armazém são arredondados para impedir acúmulo de poeira. Não há cabos ou fios elétricos. A corrente é transmitida por barretes de cobre, o que reduz a perda de energia na transmissão em 7%. O desenho do edifício, com a área superior maior do que a base, permite incidência de luz natural 5% maior do que modelos convencionais. As gôndolas levemente suspensas abrigam até 60 mil palets e não permitem que os produtos toquem no solo, evitando os riscos de contaminação do solo.

A climatização interna mereceu um capítulo especial. Em geral, as temperaturas em depósitos podem chegar a 50º C, com riscos de prejuízos para a qualidade de produtos sensíveis. ?Armazenamos de analgésicos a próteses, equipamentos cirúrgicos e plasma sanguíneo?, diz Waldo Netto, diretor da Bomi. ?Variações de temperatura podem ser fatais.? Por isso, a temperatura é mantida sempre em 24,7º C, graças a um sistema de climatização de acionamento automático. Os engenheiros da Matec também implantaram o que chamam de ?pressão positiva?, que faz com que o ar interno ?empurre? o ar externo, impedindo a entrada de partículas. Todas as semanas, uma equipe de 19 profissionais da Sustentax, consultoria especializada em sustentabilidade, visita o canteiro para verificar o respeito aos padrões ambientais. ?Enviamos informações para diversas empresas sobre o centro?, diz Luft. ?Eles nos ligam e peguntam: ?É isso tudo, mesmo?? Aí eu os convido para uma visita. Será a porta de entrada para nosso crescimento.?

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