27/10/2004 - 7:00
Você já deve ter ouvido falar em gel. Não o de passar no cabelo e sim a substância principal das fraldas descartáveis e dos absorventes femininos. Ela promete um mundo sem dificuldades. Pois trata-se de algo que movimenta um caminhão de dinheiro no Brasil: só as vendas de fraldas estão na casa de R$ 1,1 bilhão por ano; e a de absorventes, R$ 810 milhões. Mas a matéria-prima propulsora das cifras, conhecida como superabsorvente (SAP), não sai de fábricas instaladas no País. Nada. Todo o SAP usado aqui vem do exterior. Pois a Petrobras quer colocar um fim nessa situação que onera a balança comercial em quase US$ 27 milhões anuais. Vai desenterrar um projeto de uma década e construir uma fábrica do material em Betim (MG), ao lado da Refinaria Gabriel Passos (Regap). O investimento será de US$ 400 milhões e entrará em operação até 2009. Lá serão produzidas 50 mil toneladas de SAP, 140 mil toneladas do seu insumo principal (ácido acrílico) e mais 45 mil toneladas de acrilatos, um derivado do processo.
Os nomes podem até soar esquisito, mas são uma doce melodia para o governo mineiro. Em empregos, calcula-se 150 postos. Em ICMS, deverá render perto de US$ 20 milhões se a operação faturar US$ 270 milhões por ano. Além disso, a Regap entra no mapa da petroquímica brasileira. De fato. Para produzir essa quantidade, a Petrobras arcará com US$ 40 milhões para construir uma separadora de propeno, que hoje é misturado ao gás de cozinha e à gasolina da Regap. Depois, vão faltar US$ 360 milhões. E aí deverá entrar um ou até dois sócios, segundo Kuniyuki Terabe, presidente da Petroquisa (o braço petroquímico da Petrobras). A DINHEIRO apurou que a Elekeiroz, do Grupo Itaúsa, olha com carinho o projeto. Agora, é esperar o formato do projeto que fica pronto em 2005.