Engravatados, adolescentes, senhores grisalhos. A clientela é diversificada e a fila na calçada exige paciência. São 15 minutos só para entrar. E pelo menos mais 20 até vagar uma mesa. Bem-vindo ao Hooters, o novo fenômeno gastronômico de São Paulo. Um restaurante-bar-lanchonete aberto há menos de um mês e que vem surpreendendo o setor.
Franquia de uma rede americana com 300 lojas e 20 mil funcionários no mundo, a filial brasileira atende 750 pessoas por dia (e tem capacidade para 250). Qual o segredo? ?Servir boa comida num ambiente irreverente?, explica Manuel Caldeira, diretor-financeiro da empresa. Traduzindo: fazer os pratos chegar às mesas pelas mãos de garçonetes metidas em camisetas brancas agarradas e shortinhos alaranjados no melhor estilo loura do Tchan.

 

O dono do negócio prefere manter sua identidade em segredo. Mas se serve como pista, o executivo Caldeira trabalhou nos bancos Mercantil e Itaú e na corretora Linear de Ibrahim Eris. É um expert em fundos. Apesar do jogo de esconde-esconde, não pense que alguém está ali para brincar. Tudo é muito profissional. As garotas foram selecionadas por uma empresa de RH e, antes, submetidas a testes ?rigorosos?. De 300 candidatas, ficaram 30 ? as, digamos, com mais conteúdo para rechear o uniforme de trabalho. ?Temos até engenheiras no staff?, orgulha-se Caldeira. O ponto foi escolhido a dedo: bairro da Chácara Santo Antônio, quartel-general de multinacionais como Pfizer, Oracle e Samsung. E as ostras vêm de Santa Catarina, em avião de carreira, dia sim, dia não.

Caldeira pretende abrir dez Hooters (coruja ou buzina, em inglês)
em cinco anos. O primeiro, que fechará o mês com faturamento de R$ 450 mil, exigiu investimentos de R$ 1,6 milhão ? R$ 1,3 milhão financiados pelo BNDES. O empréstimo saiu em apenas oito
meses, e as más línguas juram que os bons contatos do misterioso proprietário facilitaram as coisas. Para as próximas lojas, a idéia é buscar investidores dispostos a comprar cotas do negócio. E divulgar o lado família da casa. ?Temos quebra-cabeças para distrair as crianças?, diz o diretor.