Aos 48 anos, Scott McNealy está à frente do que considera uma missão histórica. Presidente da Sun Microsystems, ele acredita ter em suas mãos a última chance de combater um poderoso inimigo, o fundador da Microsoft, Bill Gates. É uma espécie de revanche por todos os que tentaram ao longo dos anos e fracassaram na tarefa de reduzir a presença de Gates e de seu software no mercado. Em seu uniforme de calça jeans e tênis, McNealy aposta na vitória. ?O monopólio não ganhará?, disse McNealy em entrevista exclusiva à DINHEIRO. ?Meus filhos não serão criados em um mundo dominado pela Microsoft?, afirma, se referindo aos filhos Maverick, Dakota, Colt e Scout, que ganharam nomes de carros famosos
no mercado americano. Tempos atrás, as palavras do presidente
da Sun seriam vistas como mais uma bravata de um desafeto.
Afinal, a empresa também sofreu os efeitos da explosão da
bolha da internet. As ações despencaram ? de US$ 64 chegaram
a menos de US$ 3. Mas agora estão lentamente recuperando o fôlego. E a briga vai continuar.

McNealy acredita ter em mãos uma chance real para atingir a Microsoft e ainda valorizar os papéis da sua companhia. A Sun escolheu como arma um software que ela não desenvolveu, mas que está causando muita dor de cabeça à tropa de Gates, o Linux, sistema operacional gratuito concorrente do Windows. ?É possível competir com algo que não custa nada??, afirma McNealy. No presente, as suas previsões desenham um mundo no qual os programas da Microsoft serão meros figurantes, enquanto o Linux se tornará o ator principal.

O embate da Sun é frontal. McNealy anunciou para este trimestre o lançamento de um computador pessoal com o Linux para clientes corporativos, que foi batizado de Mad Hatter. A novidade deve chegar ao Brasil ainda na segunda metade do ano. ?Essa disputa com a Microsoft é um estímulo para toda a nossa empresa?, diz Cleber Morais, diretor-geral da Sun no Brasil. O ataque da Sun não é apenas no sistema operacional. A companhia quer replicar para seus clientes opções gratuitas dos programas da concorrente. É o caso do StarOffice, que inclui softwares de edição de textos e planilhas de cálculo, como Office, da Microsoft.

McNealy acredita que não terá o mesmo destino de outros que tentaram enfrentar Gates. Um dos primeiros a sentir o poderio da Microsoft foi Steve Jobs, que desenvolveu na garagem de sua casa o computador Apple em 1976. A partir de 1981, a Apple passou a enfrentar a força do PC da IBM, que trazia o sistema operacional DOS, da Microsoft. Vinte e sete anos depois, os iMacs usam programas da Microsoft e representam menos de 5% do mercado. A Apple também precisou de uma ajuda financeira da concorrente quando estava à beira da falência nos anos 90. Outro grande nome da lista de troféus na parede de Gates é Larry Ellison, o excêntrico diretor da Oracle. Apaixonado por barcos à vela, Ellison fez fortuna com os programas de banco de dados, que organizam cadastros e fichários virtuais. Após Bill Gates lançar seu próprio programa, o SQL, em 1992, a fatia da Oracle caiu progressivamente, embora ainda tenha a liderança com 39% (a Microsoft subiu para 11%).

Gates procura não alimentar a polêmica para não fortalecer os argumentos dos rivais. Com suas ações cotadas em US$ 23 e quantidade de dinheiro em caixa suficiente (US$ 36 bilhões) para comprar alguns dos seus concorrentes, o fundador da Microsoft acredita que poderá vencer novamente. Mas agora seu adversário tem pela primeira vez uma chance mínima de complicar os negócios em torno do Windows. McNealy quer ser o futuro do mercado de tecnologia e deixar Gates no passado.