01/02/2002 - 8:00
O reinado do VHS nos lares brasileiros está com os dias contados. Nas fábricas de eletroeletrônicos, já está decretado: as linhas de produção de videocassetes começam a ser desativadas e, dentro de pouco tempo, os aparelhos deixarão de ocupar espaço nas prateleiras das lojas. A holandesa Philips já determinou que vai interromper a produção de videocassete em sua fábrica em Manaus. Gradiente, Panasonic e Sony também reduzem progressivamente a sua fabricação para dar lugar ao DVD. O último suspiro do combalido VHS acontece nos meses de junho e julho, graças a um atributo valioso: a possibilidade de gravar programas da televisão. Os fabricantes acreditam que, com a transmissão dos jogos da Copa do Mundo de futebol ocorrendo durante a madrugada, muitos brasileiros recorrerão ao vídeo para assistir às partidas em outros horários. ?Temos uma diferença de 12 horas entre o Japão e o Brasil que vai manter a demanda pelo VHS elevada?, diz Takeo Kobayashi, diretor da divisão de consumo da Sony. ?Além do mais, as máquinas de gravar DVD ainda não estão disponíveis para as massas?, diz Kobayashi. Os primeiros gravadores de DVD que chegaram ao Brasil têm um preço proibitivo: o mais em conta sai por R$ 2.400.
?O videocassete, apesar de qualquer coisa, ainda é uma tecnologia barata?, diz Ricardo Uotami, gerente de marketing da Panasonic. Em torno dela gravitam centenas de empresas de pequeno e médio portes, que vivem na incerteza com a intenção das grandes multinacionais de tirar o VHS de cena. ?Na época de ouro do vídeo, produzíamos 600 mil caixas de fitas por mês. Hoje não chega a 50 mil?, diz Rubens Okuma, diretor comercial da Metaplast. A empresa diversificou a produção e hoje fabrica de canetas a cestas de basquete. Outros, porém, são mais persistentes. ?É de uma inocência muito grande dizer que o DVD vai substituir o videocassete?, diz Victor Trielle Filho, vice-presidente da Núcleo de Produção Integrado. A empresa, que já grava DVDs, ainda tem a maior parte do seu faturamento ligado à duplicação de filmes para corporações. ?Temos o VHS como carro-chefe e o mercado tem nos mostrado que temos espaço?, diz Trielle.