Depois de 18 anos de atividade profissional, o antiquário Luiz Octávio Louro Gomes já tem uma frase pronta para os clientes que chegam em sua loja, em São Paulo, e reclamam que alguma peça está gasta ou com arranhões. ?Bem, eu também já estou um pouco grisalho…?, ele costuma dizer. Nem todos conseguem entender a fina ironia da declaração. Embora exigir que uma antigüidade tenha aspecto de produto novo possa ser considerada uma gafe grosseira, a atitude é sintomática: esse é um mercado difícil para quem não é iniciado. No entanto, não deve ser desconsiderado pelos investidores ? comercializar objetos datados pode ser rentável, além de prazeroso. Alguns artigos podem alcançar cifras altas e a valorização mínima é avaliada em 8% ao ano. ?Na Europa, os consultores recomendam que todo investidor destine pelo menos 15% da renda para aplicações em artes e antigüidades, como forma de diversificar o portfólio?, diz Louro. Antes de se aventurar no filão, porém, saiba que este é um nicho de risco, vulnerável à mudança das tendências de consumo.

Aos interessados em ingressar na seara, a primeira recomendação é que as melhores peças e preços precisam ser garimpados. Uma oportunidade de conhecer vendedores e parte do acervo disponível no País está sendo oferecida pelo Círculo de Antiquários de São Paulo, que organiza desde sexta-feira 5 até quarta-feira 10 sua primeira mostra. Aberto ao público, o evento reúne 26 antiquários em um showroom de mil metros quadrados. Ali, os investidores podem encontrar peças exclusivas e preços especiais. O valor de uma obra depende de diversos fatores, como data de criação, região de procedência, estilo e fase do autor, originalidade e raridade. Reconhecer todos os itens exige amplo e profundo conhecimento, mas há dicas. Segundo Louro, também presidente do Círculo, são exatamente os sinais do tempo os responsáveis pelas provas inequívocas de qualidade da obra. ?Procure evidências do desgaste natural do objeto, isso ajuda a identificá-lo?, ensina.

Um aspecto crucial: a falsificação é comum nesse tipo de negócio. Preocupe-se, portanto, em pedir nota fiscal e perícia do Patrimônio Histórico, Artístico e Cultural, o Iphan, em objetos especiais como peças de arte sacra que podem ter sido surrupiadas de igrejas. Detectar fraudes, em geral, é tarefa para especialistas, mas os leigos podem ajudar o trabalho do perito ao conferir a assinatura do artista numa tela ou o selo de fundição numa escultura antes de fechar negócio.

Os antiquários ensinam que a melhor estratégia para diminuir os riscos é a mais simples: compre somente aquilo que lhe agrada pessoalmente. Adquirir um objeto apenas pelo lucro pode levar à frustração. ?Antigüidade é um investimento de longo prazo, não é indicado para quem pretende especular?, diz Louro. Quem está começando uma coleção, deve dar preferência aos artigos de primeira linha, que, embora mais caros, têm valorização garantida. Cuidado com modismos, mas preste atenção a estilos que estão em alta. Não se esqueça de incluir na conta os gastos com seguro e manutenção do objeto. ?Acima de tudo, não se esqueça de que toda arte é para ser apreciada?, acrescenta o antiquário. Os lucros financeiros são bônus bem-vindos.

8% é a valorização mínima anual de antigüidades

DICAS PARA O INVESTIDOR

? Dê preferência aos artigos de primeira linha de acordo com seu capital disponível.

? Exija certificado de autenticidade do objeto e compre de vendedores com boa reputação.

? Adquira somente aquilo que realmente aprecia. Não invista só para especular.